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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

Asas inseguras...

 

 

ASAS INSEGURAS

Rogério Martins Simões

 

Era triste a triste violeta,

Morava perto do jardim,

O jardim fechava às oito,

A violeta pegava às vinte…

 

Asas aladas e inseguras,

Andava de mão em mão,

Vendia falsas ternuras

Quem lhe daria o condão…

 

Tinha o passado às escuras.

O presente era um vulcão…

Perdeu as espigas maduras,

Deitou fora o coração.

 

Era triste a triste violeta,

Morava perto do jardim,

O jardim abriu às oito

 A Violeta partiu às vinte…

 

Praia das Bicas – Meco 01-10-2011 00:54:26

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Um púcaro de saudade...

 

UM PÚCARO DE SAUDADE…

Rogério Martins Simões

 

Regressei à velha casa da aldeia.

E o trinco da porta sorriu…

Entrei!

A mesa ainda estava posta…

Era uma caixa de silêncio…

 

No meu lugar vazio havia

Um prato, um talher

E um corpo longínquo…

 

Tinha sede…

Procurei o púcaro da saudade…

Então,

Uma mulher adelgaçada

Colocou a rodilha à cabeça,

Abraçou o cântaro;

Pegou-me pela mão;

E partimos para a fonte…

Meco, 27-09-2011 15:54:52

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Coração de nada

 

 

 

CORAÇÃO DE NADA

Rogério Martins Simões

 

A toda a hora, ditosa,

Quero estar contigo e ter

A pérola mais preciosa:

Meus olhos para te ver.

 

Versos em flor, viçosa,

Poemas ao alvorecer.

Em dois botões de rosa…

Meus olhos os querem ler.

 

Quero também versejar,

Para que possa adoçar,

Os teus sorrisos de gata.

 

Assim o verso me ceda,

Teu corpo feito de seda,

Coração e seios de prata.

 

Meco, 25-09-2011 23:13:40

 

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DEAMBULAÇÕES

 

DEAMBULAÇÕES

Rogério Martins Simões

 

Avanço para a estrada que me vai levar…

 

A estrada que piso, e que nunca foi estrada,

É o meu caminho estreito, pisado…

Magoado

Mesmo no centro do universo.

 

Arranco de um lugar vazio

Que me leva sem fim à vista.

Avisto outro caminhante:

A sombra deste instante

Que comigo ensaia um verso.

 

A felicidade é um instante!

A amargura é uma eternidade!

Adiante!

 

Um cão abandonado sai do lixo

Fareja as minhas pernas

E segue o seu caminho.

Pensava que estava sozinho

Neste universo das palavras…

Que palavras teria ele para me contar?

Quem o terá abandonado?

Por que não ladrou,

Quando me encontrou,

O pobre do bicho?

Prossigo o meu caminho

Devagarinho!


De que lado está o sol?

Amanhã irá chover. Agora, não!


Meco, 14-08-2011 17:53:29

 

 

 

 

 

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Diálogos: as pedras

Castelo de S. Jorge (Foto de Rogério Martins Simões)

 

 

Castelo de S. Jorge (Foto de Rogério Martins Simões)

 

 

DIÁLOGOS: AS PEDRAS

Rogério Martins Simões

 

Hoje pisei as pedras da calçada,

Devagarinho!

E as pedras disseram baixinho

- Olá poeta

 

Lisboa, 8/02/2011

 

 

 

 

 

 

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Memórias de um inverno em 1954

 

Rogério Simões com 5 anos de idade

 

 

Memórias de um Inverno em 1954

Rogério Martins Simões

 

 

 

De repente, do céu,

esvoaçaram farrapos de algodão

e através da vidraça eu via

que a minha rua se revestia

 Com uma veste branca e fria:

Era o inverno

Que ainda não conhecia…

E apresentava-se esplendoroso

 Ali, ao alcance da mão,

Nevava, em Lisboa, nesse dia.

 

E os meus pais assomaram à janela,

Enquanto, entre os dois,

em bicos de pés eu crescia…

Queria tanto brincar com ela,

E a neve não me via…

 

Bem cedo parti à descoberta.

Nada se sabe

e tanto se descobre no dia-a-dia.

Todos os meninos são marinheiros,

cavaleiros andantes,

que, pouco a pouco, vão sitiando

com olhares e andares

as terras e os mares.

 

Tantas coisas me tinham ensinado...

“Os meninos são marinheiros

São cavaleiros andantes

Os meninos são guerreiros

Homens pequenos, gigantes.”

 

Meu irmão ocupava, agora, o berço

que tinha sido meu.

 Estava irreconhecível;

Era pequeno

e pintado de azul.

Olhava.

Ali estava um menino

parecido comigo,

e eu desejoso por brincar.

 

- Cresce depressa e vem brincar.

- Cresce depressa

para fazeres parte da minha história.

-Sou um menino pequenino,

maior do que tu,

cresce para seres como eu:

Cá em casa tudo é grande…

 

Pelas tábuas da velha casa

jogávamos ao berlinde.

Meu irmão,

olhava o berço que já foi seu,

que já foi meu,

e repetia as mesmas palavras:

- Cresce depressa

para brincares comigo.

 

E a nossa mãe

dava de mamar ao nosso irmão.

E ralhava!

Ralhava connosco,

 ao ver os buracos

feitos no chão.

Havia, agora, três meninos;

Três buracos no chão,

Pequeninos,

do tamanho dos berlindes.

 

O tempo passa depressa

e a escola começara.

Conheci outros meninos

que jogavam ao berlinde na rua.

E tinham abafadores,

berlindes grandes,

com que “abafavam”

os berlindes dos outros…

Aprendi a guerrear…

nunca fiz parte dos fracos…

 

E se por qualquer razão,

A razão que em mim manda,

Certo estava, às vezes não.

 “Escutei sempre o coração

Essa voz que me comanda”.

 

Nunca mais nevou na minha rua!

 

 

 (Memórias)

Lisboa, 2005-02-28

 

 

 

 

 

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Quero respirar

 

 

 

 

 

QUERO RESPIRAR

 

Rogério Martins Simões


 

Os silêncios.


A tristeza dominante;


Este estado de alma
reinante


que não me deixa
descansar;

 

 

 

Este corpo que não
obedece,

 

e padece,

 

perto e distante:

 

Copo esguio,

 

rolado, rolando

 

numa ponte levadiça,

 

que mais parece preguiça,

 

ora se levanta, e logo tomba.

 

 

 

Tomba a própria vida,

 

quando a rua desliza

 

e nos pisa,

 

quando ela nos foge

 

nos derradeiros lances de
estrada,

 

inclinada,

 

e lá vai...

 

 

 

Ainda se fosse.

 

Não vai!

 

Esta dor acamada,

 

parando,

 

parada

 

em cada lance de escada.

 

 

 

Sou um peso morto,

 

lastro, navio à deriva,

 

vida encalhada:

 

sofrida.

 

A minha sorte é nada.

 

 

 

Decrépitas tristezas

 

tomaram o pulso ao meu
fôlego:

 

Quero respirar… 

 

Aldeia do Meco, Campimeco,

2/10/2009

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Presente e verbo amar

 

(Óleo sobre tela Elisabete Sombreireiro Palma)

 

 

PRESENTE E VERBO AMAR

Rogério Martins Simões


Sempre que vou comigo,

Comigo fico a pensar:

Quantas vezes em mim,

Contigo no meu olhar.


Quando estou contigo,

Contigo no teu cuidar...

Quantas vezes em mim,

Comigo, te sinto chorar.


Tento, mas não consigo,

Não consigo disfarçar:

Quantas vezes em mim,

A morte mais desejar.


Sempre que estou contigo,

Por vezes volto a sonhar:

Sonho que estarás comigo

Quando de novo voltar.


Sempre estarás comigo!

Sempre estarei contigo!

Presente e verbo Amar.


Lisboa, 19-02-2011 15:49:25

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Envelheço a espaços

 

 

Meu falecido tio

José Antunes

 

 

 

ENVELHEÇO A ESPAÇOS…

Rogério Martins Simões

 

Envelheço a espaços

E não dou por isso…

Já não subo à figueira

Onde apanhei figos…

Vejo chegar os netos

E partirem os amigos

Seara ondulante

Numa dança com espigas

Pão azeite, coentros

E alhos para as migas…

 

Já não preciso de sol

Pois a espiga está madura.

Já não necessito de água

Pois a mágoa está segura.

Envelheço a espaços

E, afinal, dou conta disso.

 

Lisboa, 4/8/2005

(Registado no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)

 

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A seguir a mim...

 

 

 

Fotografia de Rogério Simões

 

 

 

 

A seguir a mim

Rogério Martins Simões

 


A seguir a mim

Tudo perdurará no tempo

No Sol,

no orvalho da manhã,

Tudo é

e será diferente.


E se tudo andar!

Guiar,

parar,

falar,

Ou gritar!


Quero girar

Por onde tudo anda

E nada pára.

E, acima de tudo,

Quero acordar no tempo

E partir!

Andar por aí…

Fazendo tudo, e nada,

Em busca do meu papel.

Que papel?

De um jornal que se apaga,

No estrume,

Ou se queima no lume?!

Então, que arda!

Ou a vida se renove.

Mas… a prova?

A prova está aqui,

ainda vivo,

Cheirando o ar,

Semeando

Colhendo

O brilho do sol,

Por entre as nuvens.

 


Quero!

Atravessar os desertos

Do pensamento

E colher as areias

De cada momento:

Grão a grão!

Até ao fim!

Pois a grandeza é estar vivo

E de certeza

Permanecer no espaço

Depois de ido…

À espera

Que uma simples gota, de orvalho, caia

E me traga de volta,

Sem cabelos grisalhos,

Um sorriso de criança:

No colorido de uma crisálida

Ou num papagaio de papel

 


A seguir a mim

Tudo será diferente…

15-12-2003

(Registado no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)

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amrosaorvalho.gif

MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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