Domingo, 31 de Março de 2019

Havia uma sombra...

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HAVIA UMA SOMBRA

Rogério Martins Simões

 

Havia uma sombra,

Que aos pés da minha cama,

Todas as noites desafinava,

- Dó, ré, mi, fá, sol.

Talvez fosse uma criança

Que sem piano.

Tão triste chorava.

- Lá si dó

Ou uma jovem promessa,

Que por ali ficou sem esperança,

Que voejou tão depressa,

E todas as noites a escutava.

- Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó.

 

Partiu o piano e ficou uma guitarra

Onde está o piano

E o pianista que não via

Que para o não ver

A minha cabeça tapava

Ouviram-se os acordes duma guitarra

Que desgarrada sozinha trinava.

Tocava e ninguém via.

Eu vi um velho tão velho

Que no corredor se desenhava

E tocava!

E quando pelo longo corredor o medo levava.

Senti uma mão fria que me afagava

Gritei! Chorei, corri e cheio de medo

E na cama dos meus pais me fui escudar

Minha mãe sobre o que vi me perguntava,

Meu pai apenas rezava…

 

Não mais eu ouvi aquela guitarra

Mas o medo mexia comigo

Quando pelo escuro corredor correndo passava…

Recordava que foi ali que tão cedo aprendi a ouvir e a rezar

Meco, 01/08/2017 00:29

 

Ao meu querido avô paterno, António Antunes Simões.

Nasceu em 1881 na Pampilhosa da Serra – Aldeia Velha – casou na Póvoa e migrou para Lisboa em 1897.

Trabalhou como estivador e era um exímio tocador de guitarra.

Do pouco que sei do meu avô, dizia meu pai, que terá ensinado o Armandinho a tocar guitarra. Na verdade em investigação posterior constatei que o meu avô viveu no Pátio do Quintalinho quando o Armandinho tinha 5 anos de idade. Foi sócio da Juventude Monárquica Conservadora para poder tocar guitarra, tendo falecido na Póvoa em 1934.

Do seu neto: Rogério Martins Simões

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publicado por poetaromasi às 23:29
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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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