Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA
Poeta: Rogério Martins Simões
Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004
Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda
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Poeta: Rogério Martins Simões
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Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda
(Foto de 1966. Passeio no Tejo a bordo de um cacilheiro.
Grupo de amigos e catequistas em S. Vicente de Fora: Saudoso António Melo e Faro, o Mário Jorge, amiga que não recordo o nome, o Manuel Taleto e do lado direito eu, Rogério Simões)
(não resisti à tentação de vos dar a ler um poema de 1969 que recuperei dum velho caderno. O meu pedido de desculpas pelo atrevimento, mas está tal e qual como o escrevi quando tinha 19 anos, muitas preocupações e muitos sonhos...)
Desde muito cedo tomei consciência do sacrifício por que passavam os meus pais para me criarem, para me educarem, para “fazerem de mim um Homem”.
Tal como a generalidade dos Beirões, bem cedo abandonaram as suas aldeias em busca de uma vida melhor. Meu pai nasceu na Póvoa - Pampilhosa da Serra. Minha mãe nasceu na Malhada - Góis, Colmeal. Foi assim que meus pais projectaram nos filhos aquilo que gostariam de ter conseguido e que naquele tempo não lhes fora permitido: ESTUDAR!
É interessante ver na árvore genealógica da minha família Simões - da Pampilhosa da Serra – como as famílias eram numerosas e, apesar de tudo isso, todos lá se criaram com muito “engenho e arte”, com imenso sacrifício. Essa força foi mais que suficiente para, emigrando, migrando, conseguirem triunfar na vida, honrando a terra que os viu nascer e partir.
A título de exemplo vejam o caso do artista TONI CARREIRA que nasceu no Concelho da Pampilhosa da Serra, nunca renegou as suas origens, e lá vai estar a animar a festa da Pampilhosa da Serra no próximo dia 15 de Agosto.
Tudo isto para vos dizer que não foi em vão o sacrifício dos nossos pais. A minha geração sabe e soube entender desde muito cedo o sacrifício, a dor por que passaram os nossos queridos pais para que tivéssemos uma vida melhor.
Não sou diferente dos demais. Nasci em 1949, e a minha sensibilidade, o meu poder de observação, deu para compreender o enorme sacrifício (sofrimento) dos meus pais para todos terem uma vida melhor. O poema que segue foi escrito mesmo como aqui está. Poema sofrido, certamente, mas ao tempo que o escrevi, 1968, esta era a minha forma de escrever poesia.
- Minha querida mãe, Isabel Martins de Assunção, que não sabe ler nem escrever – obrigado por tudo o que nos deu, obrigado pelas suas constantes orações para que, num milagre qualquer, Deus me cure da Parkinson. Tenho tanto orgulho por si minha querida mãe!
- Meu querido pai, José Augusto Simões, um dos melhores alunos que passou pela escola primária da Pampilhosa da Serra, que com 86 anos tem uma memória invejável e que me ensinou a escrever poesia - obrigado por nos ter feito HOMENS. Tenho tanto orgulho em si meu querido pai.
Deixo o poema tal como um dia em 1969 o dei a conhecer a meus pais.
Três grandes amigos na recruta, SANTO TIRSO, PORTO, LISBOA.
Cada um seguiu o seu destino
O Lisboa está aqui, sou eu, ROMASI
GUERRA QUE ME ESPERAS
ROMASI
Arma ao ombro
Ombro de lado
Bala na testa
Na testa do morto
Limpa espingarda
Agarra canhão
Atira no sangue
sangra irmão…
Espada na mão…
Corta, segura
Espalma, atira,
Mata, coze,
Opera.
Decepa videira
A videira do sangue
Cai no chão
Morre para o lado…
Lado sem nada
Nada sem chão
Perde-te no vácuo
Morre canhão!
Lisboa 1969
Poemas de amor e dor
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publicado às 19:53
MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975
Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado