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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

É Carnaval!

 

 

 

 

 

 

 

É CARNAVAL: É CARNAVAL
Rogério Martins Simões
 
É Carnaval!
É Carnaval!
Há máscaras, disfarces
e caretas!
Fantasias, farsas,
E outras tretas.
Haja alegria!
Rebentou o disfarce!
 
Aquele homem rico,
Que não sabe ser pobre,
Veste-se de mafarrico…
Porque o disfarce é nobre.
E a doce Violeta
Que anda aos caídos:
Cai na valeta
Perdendo os sentidos!
 
É Carnaval
É Carnaval
Há máscaras e caretas
Fantasias, e banquetes
Haja alegria
Rebentou o disfarce!
 
Lá vem um lunático
Mui nobre e senhor
Trajando de festa
Vestindo a rigor
Trás medalhas nobres
Ganhas á espada
Rindo dos pobres
Que não têm nada.
 
É Carnaval
É Carnaval
Há máscaras e caretas
Fantasias e banquetes
Haja alegria
Rebentou o disfarce!
 
E aquele menino de bem,
Que sacou dos pais algum,
Ri-se do Zé-ninguém,
Que não ganha nenhum.
E sempre a brincar
Com serpentinas
Vão-se enrolar
Em ressacas heroínas…
 
É Carnaval
É Carnaval
Há máscaras e caretas
Fantasias, e banquetes
Haja alegria
Rebentou o disfarce!
 
Elege-se um rei
Na festa final:
Um milionário
Trajando tão mal!
Com notas de mil
Atadas às outras
Compra o mundo vil
Das bancas rotas
 
É Carnaval
É Carnaval
Há máscaras e caretas
Fantasias, e banquetes.
Haja alegria
Rebentou o disfarce!
E no meio da confusão
Onde tudo é tão nobre
Empobrece o rico
Enriquece o pobre
 
Deixo-vos a loucura
Que gritar não faz mal
Haja alegria
É Carnaval
 
É Carnaval
Há máscaras e caretas
Fantasias, e banquetes
Haja alegria
Rebentou o falsete!
1967
Poemas de amor e dor conteúdo da página

Amigo

 

(Foto de 1966. Passeio no Tejo a bordo de um cacilheiro.

Grupo de amigos e catequistas em S. Vicente de Fora: Saudoso António Melo e Faro, o Mário Jorge, amiga que não recordo o nome, o Manuel Taleto e do lado direito eu, Rogério Simões)

 


AMIGO!

 

Amigo! Eu me entrego

Amigo! Eu me largo

Sem nada na volta!

Sem nada me ergo.

Sem nada me dou!

 

Amigo! Eu acedo

Num abraço

Num gesto

Num laço.

E sofro na tua dor

E vivo o teu cansaço

 

Amigo! Eu me cedo

Eu me rendo…

Eu me consagro

Eu me dou…

Num abraço

Num gesto

Num laço

Amigo! Eu vou!

 

Lisboa, 1969

Rogério Martins Simões


Poemas de amor e dor conteúdo da página

RAMA

 

 

RAMA

Rogério Martins Simões

 

Um ramo!

E na ramagem um sonho

Deixado pelo ninho,

 atrás dele,

voando por além…

Um passarinho

recorda a sua rama…

 

Outrora era novo

Agora, quando invoca o nascer

As suas penas o julgam perdido

Na ira dos ventos vai morrer…

 

Triste passarinho

Triste emigrante sem destino.

Veio de uma terra distante

Em busca de outro caminho

 

Na vida há sempre aves

E uma ave não morre deitada….

 

Sem nada!

recordando o sonho que levou

Soltou a vida

Deixando nas recordações

As terras que semeou.

 

É noite!

Amanhã o sol voltará de novo

Mas ele já voou…

 

Lisboa, 14 de Fevereiro de 1969

(não resisti à tentação de vos dar a ler um poema de 1969 que recuperei dum velho caderno. O meu pedido de desculpas pelo atrevimento, mas está tal e qual como o escrevi quando tinha 19 anos, muitas preocupações e muitos sonhos...)

 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

O MENINO, O CÃO E O OSSO

 

(National Geographic Photos)

O MENINO, O CÃO E O OSSO
(Rogério Simões)
 
Aquela criança loira
Tinha um cão,
De cor de cinza,
Que a ternura lhe dera.
No rostito chorão,
Havia bocados limpos,
Desenhados
Pela língua do cão.
 
E eram beijos,
Mil vezes dados,
Sem favor,
Pelo lambão.
 
E o menino jogava
A bola de meia
Para longe.
O cão ia e regressava,
Mordiscando na peúga.
E ia atrás do cão!
E iam atrás do osso!
E ficavam atrás do pão...
 
Lisboa, 1969
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Instância

 

 

 

INSTÂNCIA

(Romasi)

 

Regresso da escola

percorro os mesmos passos

as mesmas ruas

é rotina!

Por isso não ligo às ervas que crescem

entre as pedras da calçada...

Aos cegos que por mim passam…

Sou tal como eles, não vejo!

 

Ah! Agora recordo

As barracas amontoadas ao fundo da escola

E aquelas crianças nuas

Brincando no gelo dos corações caridosos?!

 

Também há rosas!

Não! Havia!

Porque as rosas são a atenção de quem passa

Arrancam-nas e põem-nas na lapela.

Às vezes oferecem-nas…

Não! Deixam-nas secar…

E as pétalas caem no odor que fica!

 

Uma criança chora!

Levou um tabefe!

E vem o trabalhador de lancheira na mão

Olá amigo! Vai um copo?

 

Depois tudo me esquece

Tudo passa

Tudo gira na rotina

E no limiar da porta

Tiro a chave…

Acordo…

E vejo o mundo…

Lisboa, 30/01/1969

 

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SOB LÁGRIMAS A CHORAR

 

Meus pais e prima

 

 

 

Desde muito cedo tomei consciência do sacrifício por que passavam os meus pais para me criarem, para me educarem, para “fazerem de mim um Homem”.
Tal como a generalidade dos Beirões, bem cedo abandonaram as suas aldeias em busca de uma vida melhor. Meu pai nasceu na Póvoa - Pampilhosa da Serra. Minha mãe nasceu na Malhada - Góis, Colmeal. Foi assim que meus pais projectaram nos filhos aquilo que gostariam de ter conseguido e que naquele tempo não lhes fora permitido: ESTUDAR!
 
É interessante ver na árvore genealógica da minha família Simões - da Pampilhosa da Serra – como as famílias eram numerosas e, apesar de tudo isso, todos lá se criaram com muito “engenho e arte”, com imenso sacrifício. Essa força foi mais que suficiente para, emigrando, migrando, conseguirem triunfar na vida, honrando a terra que os viu nascer e partir.
A título de exemplo vejam o caso do artista TONI CARREIRA que nasceu no Concelho da Pampilhosa da Serra, nunca renegou as suas origens, e lá vai estar a animar a festa da Pampilhosa da Serra no próximo dia 15 de Agosto.
 
Tudo isto para vos dizer que não foi em vão o sacrifício dos nossos pais. A minha geração sabe e soube entender desde muito cedo o sacrifício, a dor por que passaram os nossos queridos pais para que tivéssemos uma vida melhor.
 
Não sou diferente dos demais. Nasci em 1949, e a minha sensibilidade, o meu poder de observação, deu para compreender o enorme sacrifício (sofrimento) dos meus pais para todos terem uma vida melhor. O poema que segue foi escrito mesmo como aqui está. Poema sofrido, certamente, mas ao tempo que o escrevi, 1968, esta era a minha forma de escrever poesia.
 
- Minha querida mãe, Isabel Martins de Assunção, que não sabe ler nem escrever – obrigado por tudo o que nos deu, obrigado pelas suas constantes orações para que, num milagre qualquer, Deus me cure da Parkinson. Tenho tanto orgulho por si minha querida mãe!
 
- Meu querido pai, José Augusto Simões, um dos melhores alunos que passou pela escola primária da Pampilhosa da Serra, que com 86 anos tem uma memória invejável e que me ensinou a escrever poesia - obrigado por nos ter feito HOMENS. Tenho tanto orgulho em si meu querido pai.
Deixo o poema tal como um dia em 1969 o dei a conhecer a meus pais.
Sejam todos felizes.
Rogério Martins Simões


 

 

SOB LÁGRIMAS A CHORAR
Rogério Martins Simões
 
Talvez porque o dia seja triste
e eu encontre nele o vosso olhar
Hoje resolvi escrever
para sempre vos recordar.
Tantos trabalhos, amarguras,
e vós só contais com desgostos:
- Talvez porque o dia seja triste
Eu vos venha aqui versar.
 
Pergunto a mim mesmo:
Que prazeres vós tivestes?
Sem uma alegria
Sempre a trabalhar!
E ainda mal desapareceu a luz do dia,
já vos estais a levantar.
- Talvez porque o dia seja triste
 e me encontre a meditar.
 
A torrente da vida arremessa,
lança as dificuldades, e nós,
vossos filhos, não olhamos as realidades:
Não vemos o vosso rosto cansado!
- Talvez porque o dia seja triste
 encontre nele o vosso olhar.
 
De sangue é o dinheiro
Com ele se faz um curso
Triste curso endinheirado
que a vós vos tira a vida.
Pelo sangue renovado!
Pelo curso, pela vida,
a vós, meus queridos pais,
obrigado!
- Talvez porque o dia seja triste
encontre nele o vosso olhar.
 
E vós minha mãe
que ainda hoje me confortaste
Porque é que ocultaste
esse vosso rosto preocupado?
E vós meu pai que ainda agora chegaste
 com o corpo suado
Porque não tem a alegria
de um suave bocado?
 
Eu, vosso filho, escrevi a poesia,
 de lágrimas, a chorar.
Mesmo assim pergunto ao céu
O porquê do meu versar:
- Talvez porque o dia seja triste
E eu encontre nele o vosso olhar!
 
Lisboa, 19 de Fevereiro de 1969
Rogério Martins Simões
 

 

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O inimigo cercava...

O INIMIGO CERCAVA

Rogério Simões

 

O inimigo cercava

E matava a minha fortaleza

Despedi-a,

Fiquei só.

Meu plano resultara:

Bandeira branca

Era o inimigo.

Ouve alegria

Encontros, abraços;

Amor,

Troca de beijos;

Música

Não hinos;

Pão não canhões

Flores não sangue

Roupas

Não bandeira

De contente

Convidei a fortaleza

E na festa

Houve guerra!

 

9/1/1969

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Inquérito...

 

 

 

INQUÉRITO

(Romasi)

 

A vida é uma monotonia

E a um passo fica distante.

É um momento que foge

É o preto, é o branco…

 

Encontro um tísico

Que me diz:

Que a vida é um escarro

Sugador de sangue…

Olha para o chão

E cospe a vida…

 

A vida é como uma flor

no jarrão

Secará

se faltarem as raízes…

 

O rico diz que a vida

É uma manhã cheia de sol

Que ele encontra quase sempre.

 

E vem o lavrador

Diz que a vida é um arado

Sabe que vive

Que importa isso?

Se tem um arado e um caniço

Um filho na guerra, seu desgosto,

Umas quantas vacas

E uma cor terrena no rosto

 

O senhor General

Diz que a vida

É comandar exércitos

P´ra defender horizontes fechados…

Saiu e oiço vomitar um canhão…

pum!

 

E o hippy dedilhando uma viola

Canta que a vida é uma flor

É uma canção de amor

É a viola dele

Que é minha também!

 

Paro,

frente a uma multidão

Todos querem falar

Poucos querem ouvir

Então, afasto-me,

Espero pelo amanhecer

Para que a noite venha depressa!

 

Lisboa, 21/02/1969

 

 

 

 

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Espreguiço-me...

 

 

 

ESPREGUIÇO-ME

(Rogério Martins Simões)

 

Espreguiço-me,

Acendo o rádio

E vibro com a música do meu tempo.

Contemplo os recortes

Colados nas paredes:

Que dançam!

Que gritam!

Que namoram!

E a minha cama desaparece

Sem saber para onde.

Que importa…

Se a dança e a música

É a alegria do meu quarto.

 

Por cima da porta

A Marilyn Monroe

Encontra o meu olhar

- Vamos dançar…

Os outros sorriem…

Batem palmas

Pela nossa alegria…

 

Alguém ralha…

- Apaga a telefonia!!!

Dói…

Que fiz de errado?

E no silêncio assombrado

Do meu quarto

Chorei meu fado...

 

Lisboa, 5/1/1969

 

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Guerra que me esperas

 

Três grandes amigos na recruta, SANTO TIRSO, PORTO, LISBOA.

Cada um seguiu o seu destino

O Lisboa está aqui, sou eu, ROMASI

 

 

GUERRA QUE ME ESPERAS
 
ROMASI
 
Arma ao ombro
Ombro de lado
Bala na testa
Na testa do morto
Limpa espingarda
Agarra canhão
Atira no sangue
sangra irmão…
 
Espada na mão…
Corta, segura
Espalma, atira,
Mata, coze,
Opera.
 
Decepa videira
A videira do sangue
Cai no chão
Morre para o lado…
Lado sem nada
Nada sem chão
Perde-te no vácuo
Morre canhão!
 
Lisboa 1969
 

 

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amrosaorvalho.gif

MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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