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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

António Correia Herédia

 

 

António Correia Herédia

(1822 – 1899)

Nada é por acaso! Na Biblioteca da Direcção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o consumo encontra-se um Relatório, em forma de livro, com 130 folhas, editado pela Imprensa Nacional no ano de 1876, intitulado “RELATÓRIO do PROJECTO DE REGULAMENTO GERAL DAS ALFÂNDEGAS pelo Inspector das Alfândegas António Corrêa Heredia”.

Este importante trabalho encontra-se, em original, no Edifício da Alfândega no Largo Terreiro do Trigo em Lisboa e acredito que a DGAIEC tudo fará, para reeditar tão precioso livro, para bem da cultura portuguesa

(Um agradecimento aos dirigentes da DGAIEC por terem recentemente colocado a “salvo”, para a Torre do Tombo, os manuscritos da “casa da índia” do “Terreiro do Trigo” e outros, entre os quais, o livro “Cartas de Alforria 1840 a 1880”).

Depois de “folhear” este magnífico trabalho, concluí que foi seu autor, António Correia Herédia, um Ilustre colega das Alfândegas Portuguesas que tinha a categoria profissional de Inspector das Alfândegas, chefiando a Alfândega do Porto.

António Herédia inicia do seu relatório, a fls. 3, e passo a transcrever uma ínfima parte para situar no tempo o seu autor. Este magnífico e pioneiro trabalho incluem citações e ideias bem interessantes e, quiçá, a repensar nos dias de hoje:

“Em 2 de Novembro de 1874 foi Sua Majestade El-Rei servido determinar que me fosse expedida a seguinte portaria:”

“Estando determinada no artigo 67.º do decreto com força de lei de 23 de Dezembro de 1869 a organização dos regulamentos necessários para uniformizar e simplificar o despacho e expediente das alfândegas, suas delegações, postos fiscais; e reconhecendo-se quanto é prejudicial ao serviço a falta dos mesmos regulamentos, não pode utilmente ser suprida por ordens e resoluções isoladas, tanto da direcção geral como dos chefes das alfândegas: Sua Majestade El-Rei há por bem encarregar o inspector das alfândegas, dirigindo a do Porto, António Corrêa Herédia, de confeccionar os projectos dos mesmos regulamentos, para depois de aprovados se dar execução ao artigo 68.º do mencionado decreto. Para o desempenho d´esta incumbência, serão fornecidos ao mencionado funcionário todos os esclarecimentos e informações que existirem ou ele exigir; esperando o mesmo augusto senhor, que há de por esta ocasião dar uma prova da sua competência e zelo. Pela direcção geral das alfândegas e contribuições indirectas se farão as comunicações necessárias para cumprimento do que fica determinado. Paço, em 2 de Novembro de 1874.= António de Serpa Pimentel”

No decurso de uma busca na Internet pelo seu nome deparei com o seguinte texto do autor do blog NESUS que passo a transcrever citando a fonte no final deste trabalho:

“Obra de António Correia Herédia, ilustre madeirense que nasceu a 2 de Março de 1822 e faleceu em Lisboa a 23 de Junho de 1899, filho de Francisco Correia Herédia e de D. Ana Margarida de Bettencourt Acciaioly. Desconhecemos se possuía habilitações literárias oficiais, mas a falta de cursos superiores não obstou a que fosse um hábil e talentoso jornalista.  

O autor salienta a temática da questão económica, a organização da propriedade rural, o contrato de colónia, a emancipação do colono e do senhorio, o crédito rural, os capitães baratos e papel das alfândegas. Assim como, a acção da autoridade administrativa na aplicação e desenvolvimento de providências cautelares no tocante a receitas fiscais, quer na redução e isenção de direitos de importação e exportação.  

Defende uma reforma geral de serviços na alfândega do Funchal, quer interna e externa, que possua um conselho e uma administração geral, com o intuito de simplificar os diversos serviços e assuntos relativos a entrada e saída de produtos da Ilha, e que seja concedida a isenção de direitos de exportação, quer na tonelagem, peias e cabotagem, nas operações comerciais realizadas.”

Por falta de tempo para me debruçar e fazer um estudo deste trabalho, que me seduz, e para aliciar os que estudam estas matérias, e não só, passo algumas citações de António Herédia que são tão actuais… :

“ Os empregados, não me canso de o dizer, serão sempre de confiança quando forem bem escolhidos, quando os não escolher a política, quando forem varridos das repartições públicas as influências eleitorais e os empenhos; e quando, a par da nomeação acertada, a subsistência e o futuro estiverem garantidos ao funcionário que designadamente desempenha os seus deveres…”(fls. 16)

 

“Aos funcionários designados para o serviço de inspecção, como os Directores, Chefes Fiscais, e de quaisquer repartições, não basta a inteligência e a prática do serviço; o que os torna cabalmente competentes é a inteireza de carácter, o amor à justiça, a moderação e a prudência, qualidades que não muito vulgarmente reúne um só homem. A aspereza no trato, a virulência, a desconsideração do superior para com o inferior nunca foram provas de honra e zelo, senão demonstrações de mal entendida severidade, e de mau carácter ou péssima educação. Para ser obedecido mão é necessário criar repugnâncias e ódios nos que obedecem. Querer fazer da obediência, que deve ser um acto puramente filho da consciência do dever, um movimento constrangido de medo, é desmoralizar e perder tudo no serviço público; é criar o servilismo nos espíritos fracos, a hipocrisia nas almas menos bem formadas, os conflitos entre caracteres independentes” (fls. 10)

Referindo-se a uma polémica quanto à emigração da Ilha das Flores para a América do Norte e à livre troca entre as Flores e o Corvo diz entre outras citações a seguinte:

“A emigração não é uma viagem de recreio; ninguém abandona com prazer a terra natal; a saudade da pátria é um mal que não tem compensação nem lenitivo. Quando se emigra é porque todas as esperanças acabaram, e porque o futuro, que se antolhava medonho, já deixou de ser futuro, e o infortúnio caiu como rochedo sobre a cabeça da sua vítima que foge quando pode, e tão depressa pode, da terra onde é assim esmagada. E não há direito para dizer ao que de tal modo se separa de uma sociedade mal organizada «não vades, que tendes aqui obrigações para cumprir» ”

Espero que este pequeno contributo, escrito quando há noite vai alta e sem o poder rever, sirva para aditar algo mais ao que escreveu o autor do blog “ NESUS” Roberto Faria: Um blog sobre a História do Arquipélago da Madeira.

Apresento ao seu autor os meus cumprimentos e agradecimento pelo E-book que tem on-line, grátis, no seu blog, “ Observações sobre a situação económica na Ilha da Madeira e sobre a reforma das Alfândegas” de António Corrêa Herédia que, certamente virá fazer luz ao Regulamento das Alfândegas de 1885.

Face a esta “oferta” - não poderia ficar com este precioso trabalho só para mim - decidi proceder à sua divulgação e, talvez, contribuir para completar o excelente trabalho de Roberto Faria.

O link para o livro “Observações sobre a situação económica na Ilha da Madeira e sobre a reforma das Alfândegas”, complementar ao que se encontra na biblioteca, fica aqui:

 http://noticia.nesi.com.pt/img/varias/140_setembro06.pdf

O blog http://nesos.wordpress.com

Termino com mais uma citação deste 2.º livro.

“Aqui estou eu como o mais frisante exemplo da incompetência empoleirada.

Como se dizia que eu não era mau governador civil, mandaram-me mudar para as alfândegas, das quais nada sabia; Deus sabe o tempo e os trabalhos que me custou a prática que adquiri, e de quantos desacertos não terei sido réu, com sacrifício do serviço, até adquiri-la. O que pela minha parte sei é que, quando, depois de vinte anos de serviço aduaneiro, deixei as alfândegas, ainda estava aprendendo, e que depois de estar cá fora tenho visto que me faltava muito para saber tudo.”

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As três enigmáticas cadeiras da Alfândega de Lisboa

 

(foto das 3 cadeiras)

 

 

 

 

 

 

As três enigmáticas cadeiras da Alfândega de Lisboa.
 
Desde há uns anos que me interrogo sobre a simbologia de três antigas cadeiras que andaram pelos corredores do edifício da alfândega de Lisboa, o antigo Celeiro Real do Terreiro do Trigo.
Dada a minha natural sensibilidade arqueológica e o modo como participo na comunidade – na salvaguarda do erário público – fiz para mim a promessa de não as perder de vista; não as “deixar ir” em troca de mobiliário novo e de conseguir que elas se integrassem no Museu Aduaneiro.
Há uns meses consegui, finalmente, sensibilizar os meus dirigentes e graças à competência e zelo da nova responsável da Biblioteca Aduaneira as cadeiras estão finalmente em segurança, isto é, recolhidas no espaço da biblioteca.
Reparto com os leitores deste blog esta minha pequena felicidade mas continuo a interrogar-me sobre o significado que o carpinteiro pretendeu dar ao encosto das cadeiras, e de tanto as olhar construí, e reservo para mim, uma teoria sobre o significado do conjunto simbólico.
Se olharem para as fotografias podem constatar, sem grande imaginação, que o autor gravou na madeira uma grande cruz judaica e dentro da mesma se encontra o desenho de um cálice. Outros símbolos se encontram ali, porém, como não sou especialista em simbologia deixo para eles esse possível estudo.
Uma nota final: pelo entalhe parecem anteriores ao século XIX .
 
Dedico ao Poeta que mais admiro, a FERNANDO PESSOA, esta minha pequena felicidade
 
Fernando António Nogueira Pessoa era filho de um crítico musical, descendente de cristãos novos, que morreu em 1893.
É de Pessoa este poema:
 
“Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.”
Rogério Martins Simões
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BOCAGE - MANOEL MARIA BARBOSA HEDOIS DE BOCAGE, Guarda Marinha da Armada do Estado da Índia

 

MANOEL MARIA BARBOSA HEDOIS DE BOCAGE



 

A bem da cultura e da língua portuguesa, tenho a honra de dar notícia que foi encontrado o Livro da "Casa da Índia" onde se encontra registado o Decreto da Rainha Dona Maria I, datado de 31 de Janeiro de 1786, a nomear o grande poeta português, MANOEL MARIA BARBOSA HEDOIS DE BOCAGE, Guarda Marinha da Armada do Estado da Índia.

 

 

Este precioso registo encontra-se no livro 19 a folhas 81 da “CASA DA ÍNDIA” e foi redescoberto pela actual responsável da Biblioteca e Museu da Alfândega, no Edifício do Terreiro do Trigo, em Lisboa.

Graças à actual direcção da Direcção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais Sobre o Consumo este e outras centenas de livros com muitos séculos - desde o século XVI - estão, e bem, a caminho do local onde há muito deveriam estar – a “Torre do Tombo”.

Os homens da ciência, que se dedicam ao estudo das diferentes matérias, vão ter aqui muito por onde começar.

Rogério Martins Simões

 

 

 

Original

Livro 19

Página 81

Dona Maria por Graça de Deus, Rainha de Portugal e dos Algarves dáquem e dálem mar em Africa Senhora da Guiné e da Conquista Negociação Comércio da Etiópia Arábia Pérsia, e da Índia Nossas.

          Faço saber aos que esta Minha Carta Patente virem: que Eu hei por bem fazer mercê Manoel Maria Barbosa Hedois de Bocage, de o nomear Guarda Marinha da Armada do Estado da Índia; Com o qual posto haverá o soldo que lhe tocar, pago na forma de Minhas Reais Ordens, e gozará de todas as honras, privilégios, liberdades, isenções, e franquezas, que em razão dele lhe pertencerem. Pelo que mando ao meu governador, e Capitão General do Estado da Índia, conheça ao dito Manoel Maria Barbosa de Bocage, por Guarda Marinha da Armada do Sobredito Estado, e como tal o honre estime, deixe servir e exercitar o dito posto, e haver o soldo como dito é; e às pessoas que lhe forem subordinadas, Ordeno que em tudo lhe obedeçam e que cumpram as suas ordens, quer por escrito quer verbais, naquilo que tiver a ver com o meu real serviço, como devem e a isso são obrigados; e ele jurará, da forma como é costume, de que se fará assento nas costas desta Carta Patente, que para tudo legalizar, Eu mandei escrever e por Mim foi assinada, e selada com o Selo Grande das Minhas Armas,

          Dada na Cidade de Lisboa a 04/Fevereiro, Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, de 1786= A Rainha = O Conde da Cunha = Patente porque Vossa Magestade há por bem fazer mercê a Manoel Maria Barbosa Hedois de Bocage, do o nomear Guarda Marinha da Armada do Estado da Índia, Como nesta Carta se declara = Para Vossa Magestade ver = Por Decreto de Sua Magestade, de 31/01/1786 = o Secretário Joaquim Miguel Lopes de Lavre a fez escrever = João Carlos Finali. a fez = regimentada a folhas 195 do livro 44 dos ofícios desta Secretaria do Concelho Ultramarino. Lisboa 15/02/1786 = Joaquim Miguel Lopes de lavre = Fica assente esta patente nos livros das Mercês, e pagou 2400 reis = Pedro Caetano Pinto de Morais Sarmento = José Rical de Pereira de Castro = pagou 540 reis, e aos oficiais 2138 reis. Lisboa 18/02/1786 = Dom Sebastião Maldonado = Regimentada na Chancelaria Mor da Corte e Reino, no Livro de Ofícios, e Mercês, folhas 316 verso, Lisboa 18/02/1786 = Mateus Roíz Viana = Despacho do Provedor = Registe-se nesta Casa da Índia, Lisboa 02/03/1786 = Dom José Joaquim Lobo da Silveira.

(Transliteração da autoria do meu colega e amigo Fernando Eduardo Gonçalves Sanches da Silva)

 

2ª folha

 

 

Camões, grande Camões, quão semelhante

Acho teu fado ao meu, quando os cotejo!

Igual causa nos fez perdendo o Tejo

Arrostar co sacrílego gigante:

 

Como tu, junto ao Ganges sussurrante

Da penúria cruel no horror me vejo;

Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,

Também carpindo estou, saudoso amante:

 

Ludíbrio, como tu, da sorte dura

Meu fim demando ao Céu, pela certeza

De que só terei paz na sepultura:

 

Modelo meu tu és... Mas, oh tristeza!...

Se te imito nos transes da ventura,

Não te imito nos dons da Natureza.

Bocage

 

 

 

Já por bárbaros climas entranhado,

Já por mares inóspitos vagante,

Vítima triste da fortuna errante,

dos mais desprezíveis desprezado:

 

Da figueira esperança abandonado,

Lassas as forças, pálido o semblante,

Sinto rasgar meu peito a cada instante

A mágoa de morrer expatriado:

 

Mas ah! Que bem maior, se contra a sorte

Lá do sepulcro no sagrado hospício

Refúgio me promete a amiga Morte!

 

Vem pois, oh nume aos míseros propício,

Vem livrar-me da mão pesada e forte,

Que de rastos me leva ao precipício!

 

Bocage


 

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Carta aberta ao Poeta José Baião

 

 

 

 

 

Zé Baião, um abraço

 

Estou aqui em “pulgas” para saber como decorreu o sarau poético. Contigo no comando estou certo que tudo correu bem.

E o meu poema foi bem aceite?

E será que alguma vez o irá ser - no tempo?

Fico feliz por saber que representas um grupo por onde a poesia se passeia no conforto das palavras.

Além de mais és poeta e criei contigo uma empatia de poeta para poeta. Por isso desculpa estar para aqui a escrever, num tempo de Outono esquisito em que o calor da noite não me deixa dormir, porque afinal a mão direita ainda escreve…

Que desconforto seria para mim se não conseguisse escrever. Os poetas são uns operários da caneta e trazem pensamentos errantes que debutam no papel. Que papel nos está reservado? Serei poeta?

Quanto a mim que nada sou, serei o que o destino quiser, porém, sou poeta:

Um poeta sonhador que tantas vezes lhe roubaram os sonhos.

Hoje estou nesta! Enquanto houver alguém a procurar a minha poesia não irei desistir de a escrever ou de a chorar.

Ainda hoje um colega nosso me dizia que tinha visitado o meu blog no Sapo e que estava impressionado ao ponto de se identificar com ela. Já não é a primeira vez que o dizem! Foi por isso que voltei a escrever parando de rasgar como era meu hábito fazer.

Ainda bem que estás virado para organizares e recitares poesia. Tivesse saúde tentaria fazê-lo como tu o bem fazes.

Hoje apetece-me reflectir em vez de escrever poesia e para não falar para as quatro paredes resolvi escrever-te, aditando palavras, com palavras que hoje tenho espalhado por aí.

Pergunto muitas vezes:

Que faço com estes versos?

Sentir-se-ia desconfortável o lixo com o peso dos versos?

Em Portugal quem liga à poesia?

E se eu os mandasse mesmo para o lixo não suavizariam o mau odor que por aí anda de saltos altos…

Vou terminar.

Pouco me importa que em Portugal a poesia não tenha expressão! Só me entristece que no dia de Camões e de Portugal pouco se fale de poesia

Zé! E se em vez de medalhas, no 10 de Junho, condecorassem com poemas dos Lusíadas ou com versos de Caeiro?   

Camões tem poesia para todos os gostos. Antes, nas escolas, ensinava-se os Lusíadas, agora nem um só canto. Quantos conhecem a sua lírica? As chamadas elites culturais?

No meu caso nada de elites - sou povo! Como é enorme o povo em – Pessoa!

Meu pai e mestre, como não tinha rendimentos para nos dar sobremesas à refeição, enchia-nos o prato com saborosos poemas – os seus e os dos grandes poetas. Mas isto é pelintrice e pouco importa. Importa é estar na berra, importa é mandar umas tretas para que o povo se entretenha e não pense.

Por mim não quero que pensem! O problema é que um dia o povo irá acordar e vai ser terrível!

Tudo mudou e sem poesia o mundo é menos sonhador e mais desumano

Repara amigo - quando se escreve poesia não está só! Não estamos sós!

A poesia enche-nos a casa de lágrima ou de sorrisos e reverte os sonhos desfeitos em estrelas cadentes para voltarmos de novo a sonhar. Estamos sozinhos quando as paredes emparedam os pensamentos e nem uma só lágrima se verte.

Há pouco visitámos um amigo que está num lar, um bom lar! Que lar substitui a família! Curioso! Chegámos a casa os dois fatigados e estivemos com sono durante umas horas. Agora acordei e estou nesta:

Carta para o Baião!

Carta a um poeta!

O que é a poesia?

O que é ser poeta?

A poesia é a magia que espreita a ponta dos dedos esborratados de tinta…

Ser poeta é quase morrer e renascer num canto ou num verso.

Paro, tenho de parar, porque amanhã voltarei à rotina e sem rotina não tenho possibilidade de viver.

Todos andamos num carreiro, para cá e para lá sem saber ao que vamos. Andamos, corremos, pensamos como fazer para sobreviver e não vemos! Como podemos ver se nada há para ver e se vemos teremos de parar para reflectir?

Deixam-te reflectir?

Que reflexão fazemos nas nossas vidas?

Quantas televisões temos em casa?

Quantos tabuleiros se enchem de pratos no desconforto da mesa vazia?

Porque esfria a comida na espera e cresce bolor no pão que não sobra?

Que desconforto quando não há poesia!

Saudades

Rogério Martins Simões

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MADRUGADA

 

(Foto de Padre Pedro - Pampilhosa da Serra 20006)

MADRUGADA
(Rogério Martins Simões)
 
Na Madrugada,
Quando as estrelas nos chamam do céu
Quando a lua sobe o céu a pique
Quero estar só, todo o universo é meu!
 
Sussurro ao escrever-te
Cercado de luar
De mãos dadas os dois...
Que importa o que está certo
Se os beijos regressam depois.
Madrugada!
Quero-te por perto!
 
Madrugámos submersos em nós
Esquecemos os dias, trocámos afectos
Noites de volúpia que passam discretos
Rumo ao prazer numa nave veloz
 
Atrevo em dizer-te
Que o sol perdeu calor,
Que a chuva não tem mais pranto!
Beijo-te a noite oh minha amada
Ditoso só por te encontrar
Que seria de mim sem essa estrada…
Madrugada!
Não deixes a manhã chegar.
 
E quando as estrelas
Me chamem de novo do céu
Quando a lua desça de novo à vela
Madrugada!
Quero estar só,
Quero estar contigo
Pois só de vê-la
Todo o universo é meu…
 
Lisboa, 22 de Maio de 2006 
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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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