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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda




Rogério Martins Simões

Cria o teu cartão de visita Poemas de amor e dor conteúdo da página

18.03.08

 

(Rogério Simões)

(Malhada, Colmeal, Góis 1953)

 

 

ARREPIAM-ME AS LEMBRANÇAS

Rogério Martins Simões

 

Arrepiam-me as lembranças

Das manhãs descalças…

De um corpo fino

De um bibe com alças:

Memórias de um tempo menino.

 

Sou alérgico às memórias ingratas!

Clarabóias deixam passar a luz,

Que derrete o gelo indeciso

Por onde passou um tempo preciso,

Das coisas belas e gratas.

 

Sou um vestígio dos umbrais

Que sustêm o peso dos meus sonhos.

Tento viajar com os olhos cerrados

Por um campo milho verde

Com bandeiras a tocarem o céu…

 

Vou jejuar!

Não comerei os figos

Bicados pelos gaios…

Procuro na horta os abrigos

Onde a distância dos Maios,

Dissipam as canas dos trigos…

 

Toquei na colmeia por querer!

Sou um sopro de saudade

Favo de mel com a minha idade

Picado de abelhas ao alvorecer…

 

Cheguei ao fim dos silêncios

Onde as memórias são silenciosas.

E os silêncios para contemplar…

 

Quem vos disso

Que tinha de atalhar os caminhos

Na horta adulta…

Se me resta um pedaço de água pura

E um púcaro vazio para a apanhar….

 

Lisboa, Tejo, 18 de Outubro de 2007

(Poema dedicado à Beira Baixa -- ao povo Beirão - à Póvoa - à Pampilhosa da Serra e à Malhada)

 



 

(Foto minha com 22 meses, 1950)

 

                               Nota de agradecimento

 

Este blog foi criado em 6 de Março de 2004. (Já nem me recordava da data)

De então para cá já teve mais de 2 milhões e 500 mil acessos e tudo se fica a dever àqueles que se revêem na minha poesia, nos poemas de Efigénia Coutinho e de Daniel Cristal a quem agradeço mais uma vez, sem esquecer a pintora da casa - Elisabete Sombreireiro Palma.

Não foi fácil! Não é fácil manter um blog sofrendo de Parkinson, observando, cada dia que passa, uma maior dependência e tentando superar as barreiras que a vida nos coloca. Para superar esse combate tenho contado com a preciosa colaboração, amor e dedicação da minha esposa e pintora Elisabete Maria Sombreireiro Palma e de muitos amigos, nomeadamente do Brasil. Não irei desistir facilmente! Acredito na cura para a Parkinson e agradeço àqueles que lutam por mim.

Ao Sapo que ao longo destes 4 anos já me distinguiu várias vezes quero mais uma vez agradecer. Nunca mudei do Sapo, esta foi a casa que me acolheu. Durante 18 meses o meu blog ocupou os primeiros lugares do Sapo e tinha, então, cerca de 3000 visitas diárias. Hoje tudo é diferente, para melhor, apesar de ter em média entre 1500 a 2000 visitas por dia.

Àqueles que não visito apresento as minhas desculpas! Não dá mesmo! A luta contra a Parkinson é tremenda e só o muito amor que tenho pela poesia me obriga a continuar.

Se escrevo poesia sofro! Mas, se não escrevo morro!

Obrigado a todos.

Com muito amor e muita paz.

Com muita tristeza e pesar pelo que está a acontecer mais uma vez ao povo do TIBETE, sou,

Rogério Martins Simões

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

12.09.07

 

 


 

 

(Capela da Póvoa - Pampilhosa da Serra) 

 

 

 

 

 

Vieram de longe
Rogério Martins Simões
 
Vieram de longe de onde se avista a pinha!
De olhos esperançados e o rosto enrugado,
Com rugas do cansaço de trabalho na mina.
Sempre por perto porque longe fica ao lado…
 
Vieram para Lisboa para perto da linha:
Que os viu chegar no comboio apinhado.
Estrangeiros na sua terra; que estranha sina,
À procura de trabalho mais remunerado.
 
Trabalhavam, sol a sol, qual terra prometida.
Visitavam a aldeia já cansados da vida,
Onde colhiam os cachos e faziam o vinho…
 
Esventraram montes e derrubaram as colinas…
Construíram as pontes, cruzaram as esquinas!
E regressaram às aldeias no final do caminho…
 
2004-04-23
(Aos meus pais)
Poemas de amor e dor conteúdo da página

11.06.07

 

 


 

ENTRE PORTAS E PAREDES

Rogério Simões

 

Entre portas e paredes

Eu me divido

Centro e concentro

Hesito e parto…

A nuca lateja

Ai de mim que não veja

Uma porta de saída…

 

Parto em silêncio...

Na mais pura água cristalina

Entre musgos e seixos

Oiço o chiar dos eixos

De um simples carro de bois

Depois…

Mãos nos queixos

Aceno na despedida…

19-06-2005 1:09

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

05.02.07


 

(Pampilhosa da Serra foto Padre Pedro)


 

EU NASCI NUMA CASA POBRE

José Augusto Simões

 

Eu nasci numa casa fundeira

Cresci numa casa da serra

As ruas eram a estrumeira

Do esterco se alimenta a terra

 

As casas eram velhinhas

Mas tinham boas lareiras

Minha mãe e as vizinhas

Levavam estrume p´ras leiras

 

Só se juntavam à noite

Ou quando estava a chover

Punham lenha na fogueira

Para todos bem receber

 

Éramos todos primos e amigos

Todos juntos a conviver

Punha-se mais lenha no lume

Foi ali que aprendi a ler

 

Todas elas nos contavam

Cada qual a sua história

Atentos todos escutavam

Tudo ficava na memória

 

Depois de tantas histórias

Coisas que havias nas terras…

Tínhamos as nossas glórias

Subíamos ao alto das serras

 

Quando chegámos ao cimo

Avistávamos o horizonte

Era a serra mais alta

No largo tinha uma fonte.

 

Saía a água da rocha

Muito pura e cristalina

Logo os dois nos baixámos

Para beber água tão fina.

 

Quando olhámos os astros

Vimos o sol a nascer

Era a coisa mais bonita

Que podia acontecer

 

Depois de o sol arraiar

Corremos todos os montes

Em todos os vales corria

Água em todas as fontes

 

Terras cobertas de matos

Tão bonitas, uma beleza

Todas ali se criaram

Com o sol da natureza

 

Depois descemos para a aldeia

Com saudade e alegria

Já sabíamos muitas coisas

Era verdade o que se dizia.

 

Já na escola fui aprender

A lição que já sabia

Recordo e não irei esquecer

A lição de astrologia.


 

 

Lisboa, 12 de Dezembro de 2006

(Poema da autoria de meu pai e mestre que nasceu em 1922)

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

02.08.05

(fotografia gentilmente cedida pelo Sr. Padre Pedro Pampilhosa da Serra)

 

FUI AO SÓTÃO
Rogério Simões
 
Em Março do ano, de dois mil e quatro, embarquei numa aventura, sem porto seguro, quando decidi dar a conhecer a minha poesia.
Antes de iniciar esta viagem fiz alguns preparativos.
Comprei um livro que ensinava a melhor forma de construir livros virtuais, a que chamam blogs e, quando já me sentia minimamente preparado, arranquei forças, para desenterrar o baú onde guardava alguns segredos.
Peguei no escadote e subi ao forro da minha casa. Alcançado o último degrau, coloquei um pé na parte superior do escadote para me projectar e alcancei as duas pastas ao fundo do tecto falso.
Para mim, existem três momentos distintos na vida: o primeiro em que tudo é distante e grande; o segundo, em que tudo o que aparentava ser grande parece pequeno e o terceiro quando tudo de novo fica distante...
Voltando à viagem ao sótão - no tempo do assim-assim - consegui alcançar as duas velhas pastas de cartão prensado, presas por dois elásticos ressequidos que se pulverizaram num instante, e nesse dia não arranjei coragem de as entreabrir.
Fiquei-me por os inúmeros pensamentos escritos à toa, nas partes exteriores das caixas, alguns dos quais eram mais ou menos assim:
- Quando das quebradas do silêncio os lobos uivam e descem à aldeia as mãos unem-se, com mais força, ateando a fogueira que as aquece.
Ou na minha rua havia crianças nuas olhando as outras crianças com relógios a brilharem ao sol.
Ou esta caixa encerra o lado oportuno da minha vida, a saber: vivias num bairro de lata agora sobram-te telhas.
Nessa noite senti uma dificuldade redobrada em dormir.
Afinal, naquelas pastas, não iria encontrar as diversas compilações de poemas que escrevi e rasguei ao longo da minha vida: “Meu amor despido de preconceitos” “Renovação” “Na berlinda dos Tesos” “Lutas a carvão” “Azimute” “Revolução não pára” “Ego” e tantos mais que não lhe recordo os nomes. Apenas iria encontrar, naquelas duas pastas, alguns marcos e marcas e, certamente, alguns poemas de amor e dor.
Parte II
No Inverno a minha casa torna-se fria e, sempre que posso, acendo a salamandra à procura de bafos de calor - ambiente, que me aqueça o corpo e retempere o espírito.
É interessante: no verão desejamos o fresco do Inverno e no Inverno o calor do Verão, porém, quando vejo o nosso cão enroscado saboreando o prazer do calor versus frio, começo a entender esta aparente contradição, pois o prazer está nestas pequenas coisas e na natureza está tudo certo.
Aproveitei a manta e despejei as pastas no chão e o cão deu-me duas lambidelas.
Fez-se barafunda...num amontoado de papéis. Afinal o meu tesouro continha alguns pedaços de fitas com cálculos de vencimentos; velhos papéis de marcações de consultas (recordações de quando trabalhava nos postos das Caixas de Previdência); folhas de papel cavalinho e outros, todas manuscritas, que utilizei para aproveitar o papel e a inspiração do momento
Peguei num pedaço de papel e comecei a ler, tentando decifrar o que tinha escrito ou o motivo para recordar.
Reparei que afinal há mágoas que se julgam apagadas, mágoas mal resgatadas e sofridas, que regressam de novo mas de uma forma ténue e discreta.
Por fim tudo passa e, a amargura de então, torna-se numa ligeira brisa sem pinheiros.
Finalmente, oxigenei alguns escritos e fiz com o resto um tição para atear mais a fogueira.
Subo de novo o escadote, volto a encerrar a minha poesia e reparo em mais um escrito
 Às vezes penso
O conflito que me arrasta
É um tempo
Marcadamente ingrato
E difícil de curar.
1971
Poemas de amor e dor conteúdo da página

06.03.05

 

 


 

O Trabalho agrícola na nossa aldeia, a Póvoa, nos anos 40 do século XX

(texto da autoria do meu pai e meu mestre de poesia)

Começo pelo primeiro trabalho que se fazia naquela época.

Todos os dias, quase todos os homens que lá estavam, e algumas mulheres, iam cortar um molho de mato. Carregavam-no às costa para os currais do gado ou para colocar nas ruas que serviam de estrumeiras.

Havia também, embora em menos quantidade, quem fizesse o transporte em carros de bois.

Este mato, depois de podre e bem curtido, fazia-se em estrume para adubo das terras de cultivo.

A primeira sementeira que se fazia era a do centeio, semeado em terras de sequeiro e nos alqueives, não levava rega nenhuma. Era semeado em finais de Dezembro ou princípios de Janeiro, e ceifado no mês de Julho. Era atado. em molhos e ficava no campo para secar bem. Depois, era todo malhado no Largo da Capela de Santa Eufémia.

Para malhar, era costume ter a participação de oito (8) homens, quatro de cada lado, cada qual tinha o seu "mangualde" com que malhava o centeio até sair todo o grão.

Depois disso, era levantada a palha com uma forquilha e atada em molhos que se guardavam nos palheiros.

O centeio, que ficava no chão, era tirado com uma vassoura própria, até ficar limpo. Além disto era ajoeirado ao vento, mas, mesmo assim, ainda era lavado e, depois, seco ao sol. Só depois estava pronto para ir. para o moinho.

A preparação do recinto de malhar, neste caso o Largo da Eira ou da Capela, também obedecia a certos rituais.

O largo era todo bem varrido (mais que uma vez) e barrado com fezes de bois (bosta), até agarrar bem. Esperava-se que secasse, estava então pronto para a malha.

Retomando as sementeiras, o cultivo seguinte era o do milho.

O milho era semeado nos meses de Março e Abril. A terra era lavrada ou cavada e, depois, gradada ou arrasada até ficar plana para lhe ser espalhado o estrume. Ao fazer os regos, o chamado acto de marejar, o estrume ficava alagado na terra junto com o grão do milho.

Quando o milho já estava crescido era sachado e, depois, arralado, quer isto dizer, compassado como devia ficar para criar espigas como deve ser. Depois disso, eram feitos regos para passar a água em leiras, para regar de forma uniforme todo o milho. Antes, porém, era todo empalhado com mato para segurar a terra.

Quando o milho já estava criado, assim como as espigas, era-lhe cortada a cana, junto às espigas. As canas com bandeira deixavam-se ficar para que o grão ficasse mais grosso.

A palha resultante deste corte, era carregada em molhos e deixava-se a secar junto às hortas. Depois de bem seca eram feitos molhinhos mais pequenos a que se chamavam fachas.

Estes pequenos molhos eram normalmente dados ao dono dos bois que lavrava a terra e carregava o estrume para as hortas. Este era chamado de "Carreiro" e a paga do seu trabalho era a palha com que ia alimentando os bois.

Mas, o ciclo do milho não termina aqui. Quando a espiga estava quase pronta para ser apanhada, eram tiradas todas as folhas da cana do milho e atadas em pequenos molhos, que depois de bem secos, eram guardados nos palheiros para serem dados, de pasto, ao gado.

Depois deste trabalho todo é que tiravam as espigas das canas, e estas eram transportadas para casa, onde se faziam as desfolhadas.

Quando as maçarocas estavam em casa, as pessoas da aldeia ajudavam-se umas às outras, num serviço verdadeiramente comunitário. O milho era desfolhado por várias pessoas.

Qualquer criança que tivesse nove ou dez anos, já ia ajudar à desfolhada e, de certeza, não ficava  atrás dos adultos nesse trabalho específico.

Nas desfolhadas havia uma coisa engraçada, o rapaz ou rapariga, a quem calhasse uma espiga encarnada, era obrigada pelo juiz a cumprir uma pena. Normalmente era dar um beijo e um abraço a todas as pessoas presentes na roda.

Tanto as desfolhadas, como as debulhas do milho, eram uma paródia. Aí se encontrava muita gente, cantava-se, bebia-se e contavam-se histórias. Por vezes (muitas, mesmo) no final das debulhas, faziam-se grandes bailaricos.

O milho, depois de debulhado, era transportado para o estendedouro, onde era espalhado em cima de grandes panos ou mantas de fitas, para ficar a secar ao sol e só era guardado quando estava bem seco.

Também para secar o milho se faziam coisas por tradição. Levava-se para o local onde o milho secava ao ar, uma arca e durante quatro ou cinco dias, era estendido de manhã (em cima das mantas ou panos) e apanhado à tarde, quando o sol passava.

Só assim, depois de passar todas estas etapas, é que o milho estava pronto para ser posto nos foles que o haviam de levar até aos moinhos, donde regressavam em farinha para se fazer a broa e os bolos.

Desta forma breve e aligeirada, espero ter mostrado como era o trabalho que estas duas espécies de cereais davam até serem transformados em alimento.

Já a batata, outro alimento indispensável na dieta serrana, e outros produtos hortícolas, assim como o vinho e azeite não davam metade do trabalho e eram muito mais compensatórios.

Não é preciso dizer mais nada para saberem o trabalho e esforço que a agricultura obrigava naquele tempo. Foi por isso, que escrevi, a vida dura dos serranos nos tempos de antigamente.

José Augusto Simões

2000

Publicado em Ecos da Póvoa


 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

20.12.04

 

 

 

ECOS DA PÓVOA

Uma aldeia, um ideal que nos une

 

De vez a vez, tenho por hábito rever os papéis que guardo no meu armário. Hoje, quando cheguei a minha casa, resolvi reler os poucos exemplares de uma pequena publicação a que a direcção da comissão de Melhoramentos da Póvoa deu corpo. E se digo poucos é porque sabem a pouco - tão ricos o são

“Ecos da Póvoa” tinha uma periodicidade – Trimestral – e contava com a colaboração de todos os que, como eu, temos um amor muito grande por esta pequena aldeia.

O 1º “jornal” foi publicado no 1º trimestre de 1999 e era dirigido pelo meu parente e amigo César Oliveira.

É um regalo reler a coluna principal, intitulada “ Alpendre de Santa-Eufémia”, da autoria do ilustre Dr. António Ramos de Almeida, escritor e poeta.

Existiam, ainda umas colunas: “Coisas de Antigamente”; “Gente com Passado”; “Nós e os Outros…o Olhar de quem visita a Póvoa”; “O meu testemunho”; “Nós…e a história”; “ O retiro dos Poetas”; “Coisas de Antigamente”; “Pequenos escritores”

Hoje resolvi trazer da coluna “ Coisas de antigamente” uma recolha popular de duas orações, ambas da memória de Maria Nunes da Veiga Casalinho:

 

“Oração para a cura de ossos partidos”

“Este      (braço) da (o)      foi partido, rangido, ou estrangido. Por parte de Deus te requer que volte ao mesmo sentido.

Padre-nosso e Ave-maria”

“Oração e receita para cura da erisipela”

3 gotas de água

3 pedras de sal

3 paus de oliveira

3 gotas de azeite

(junta-se tudo para esfregar)

Pedro e Paulo foram a Roma, Nossa Senhora encontraram, Nossa Senhora lhes perguntou: - que viste vós Pedro e Paulo?

-Vimos erisipelas e erisipelões.

- Vão para casa e curem em meu nome: com água da fonte, sal da marinha e azeite da oliveira.

Padre-nosso e Ave-maria

Em nome de Pedro e de Paulo

(Feito 3 vezes ao dia durante nove dias)

 

Na coluna “ Coisas de hoje” do “ECOS DA PÓVOA” nº 6, encontra-se um artigo assinada por “ Maria da Fonte”, também foi publicado em “ Comarca de Arganil de 18/03/2000.

Desse artigo retirei um diálogo fabuloso, à luz dos nossos dias, ora vejam:

“O tempo tudo altera, e muito se repete. Num ainda próximo passado, em que imperava a ditadura, a “badministração” do País caracterizava-se pela dureza da autoridade e por leis muitas vezes iníquas, muito mal aceites pelo Zé-povinho e que, apreciadas hoje, parece impossível terem existido.

Na pacata vivência do aldeão serrano, homem livre de leis, a não ser a adua das águas e quinhões de moinhos, apareceu de repente a GNR, para fazer cumprir a lei!

- Lei? – Perguntou um pobre boleiro, abordado pela autoridade, que lhe mede o pico da aguilhada e o multa porque entende que tem um cagagéssimo a mais.

Qual não é o espanto do mesmo, ao puxar um pobre isqueiro de torcida com pederneira, para acender o cigarrito, feito pelo próprio com papel de murtalha reles, lhe pedem a licença do mesmo.

- Licença de quê? – Respondeu o humilde homem não percebendo patavina o que ele queria.

-Ah! Não tem licença? Então ou paga a multa ou vai preso para o posto!

Impunha-se a lei do espartilho, e por tudo e por nada o pobre povo daquela altura era penalizado por imposições e multas absurdas.”…

Desconheço o seu autor. Foi escrito sob o pseudónimo de “Maria da FONTE”

Termino com o lema da aldeia

“VAMOS TODOS COMO OS DA PÓVOA”

 

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02.08.04

 

 

 

 

GEADA GELO CHUVA NEVE
Rogério Martins Simões
A enxada cava fundo
Na mão do homem do campo!
Fundo entra!
Chega fundo
Geada, Gelo, Chuva e Neve.
 
Na lareira, o pinho crepita,
A velha treme
E a criança grita
Geada, Gelo, Chuva e Neve.
 
O Inverno é ruim
E a bucha é tão rara.
Viva a salgadeira
Do toucinho cru!
Meu filho
Não te metas ao caminho
Geada, Gelo, Chuva e Neve.
 
Mãe minha, vou emigrar.
Que Deus a ajude
Que eu não posso!
E se Deus não quiser,
Geada, Gelo, Chuva e Neve.
 
Não há Inverno somente
Valha-nos os bafos da cabra!
Cabra minha já foste à lenha?
Geada, Gelo, Chuva e Neve.
 
Ardem as torgas na lareira
Senhor Ministro,
Que bela a casa a sua!?
Não há frio que lhe chegue,
Nem Geada, Gelo, Chuva e Neve.
 
Em casa de pobre,
Ramos de horta,
Ninhos de águia no alpendre.
Lavrador não fique curvado...
À geada, gelo, chuva e neve.
 
1974
(Poema dedicado ao povo da Póvoa, da Pampilhosa da Serra e a todos os Beirões)
 
 


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19.06.04

 

 

 

Chegaram pela manhã de uma longa jornada.

O tempo era ameno e de repente lembraram-se do Verão onde tantas manhãs foram suas.

Pararam, nada disseram um ao outro, como esperassem que algo acontecesse e de repente toda a Aldeia fosse ao seu encontro.

Já tardam tão cedo as manhãs, que ainda só agora começam, e os seus pés, tão pesados, já não são da viagem…

Finalmente quebraram o silêncio:

- Lembras-te Isabel da queda… no musgo que crescia à beira do curral!

Olharam em redor!

Tudo parecia demasiado pequeno, distante, ao alcance de um braço.

Notei, na quietude, as fragilidades com que tentavam disfarçar a insegurança daquele breve momento.

Então, vi no rosto dos meus pais:

“olhos de água cristalina,

da mais pura nascente da serra,

correndo em levada”

Cheios de recordações, como se mais nada existisse que os fizesse ficar, partiram.

(A meus pais: Isabel Martins de Assunção e José Augusto Simões)

Rogério Martins Simões

 

Regresso à Aldeia foi escrito há muitos anos numa antecipação ao dia de ontem (18/6/2004).

Tal como versei num soneto, chegou o tempo de concretizar a profecia:

“E regressaram à aldeia no final do caminho”.

Os meus pais, para quem a palavra amor é para mim insuficiente para lhes expressar o que por eles sinto, foram visitar as suas aldeias: A Malhada (Colmeal) e a Póvoa (Pampilhosa da Serra).

Meu pai com 82 anos, não visitava a sua Aldeia há quase meio século,

Hoje, mais que em qualquer momento, faltam-me as locuções e sobram-me as glorificações.

Lisboa, 19/6/2004

Rogério

 

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    MEIO HOMEM INTEIRO
    Rogério Simões
     
    Meia selha de lágrimas.
    Meio copo de água
    Meia tigela de sal
    Meio homem de mágoa.
    Meio coração destroçado
    Meia dor a sofrer.
    Meio ser enganado
    Num homem inteiro a morrer.
    11/4/1975

    Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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