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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

A espaços nada entendo...

(Autor Mestre Real Bordalo)

 

 

 

A ESPAÇOS NADA ENTENDO

Rogério Martins Simões

 

A espaços nada entendo

É como se tudo desaparecesse

Todo o universo se juntasse

E ao mesmo tempo nada existisse.

Quem sou eu afinal?

Que faço eu aqui?

Quem vai ler o que escrevo

Se nada existe ali…

 

Estarei por certo mal

É como se tudo parasse

E na calmaria só o vento...

-Vento! o que és afinal?

-O vento vira furacão

E faz da cidade um lugar.

 

Aluga-se o meu pensamento…

Cede-se um espaço ao luar

Penduro-me na cabeça do momento

E vou por aí a navegar

 

A terra é redonda

A lua está ao alcance da mão

O espaço não se monda

Tudo junto, tudo certo

Céu aberto

Como o meu coração

Que no meu corpo manda

E desanda…

 

A minha alma vai e vem

Vem! Sou um simples mortal

Quando, sem esperança final,

Toda a esperança se tem...

09-09-2005 20:19

Poemas de amor e dor conteúdo da página

Se voltasse não mais choraria!

(Óleo sobre tela - Elisabete Sombreireiro Palma)



 

 

Se voltasse não mais choraria
Rogério Martins Simões
 
Gosto dos simples como gosto de poesia.
Até gosto d´ervas que crescem daninhas.
Não gosto de choros e tristezas minhas.
Viver por viver jamais viveria.
 
Provei o vinho amargo, da amarga agonia,
Feito de fel, alegrias-poucas, dores minhas.
Se voltasse não mais choraria,
Beberia o vinho novo colhido das vinhas.
 
Como poeta eu seja lembrado.
Num cantar errante mas perfumado.
Volte amanhã de novo a florir.
 
E serei poema em forma de trigo,
Semente de amor; cantar de amigo,
Para que não mais chore o meu sorrir!
 
16-05-2005

 

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Não chores por mim, não chores, sabiá...

 

Não chores por mim, não chores, sabiá…

Rogério Martins Simões

 

Debaixo do sabiá está um homem a descansar

Dorme, dorme, cortador que sabiá não é pinho…

-Dorme, trabalhador que sabiá te vai abrigar!

-Sabiá onde estás? Oh meu lindo passarinho?

 

-Toma cuidado oh sabiá não o deixes acordar

Num galho de um sabiá, o sabiá faz o ninho

Vai-te embora oh caçador que sabiá quer pular,

Do cimo do sabiá, para a mata de rosmaninho

 

Uniram-se os sabiá e o homem ficou ao sol…

Debaixo do sabiá está agora um guarda-sol

Volta sabiá! Canta sabiá que alegria já não há

 

Eu vi um sabiá com uma semente no bico

Deitou-a a meus pés, eu com ela não fico

Volta a dar sombra sabiá! Vem cantar sabiá!

Lisboa, 13 de Março de 2007

 

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Dia mundial da poesia

 

DIA MUNDIAL DA POESIA

 

Comemora-se hoje o dia mundial da poesia.

A minha homenagem a todos os poetas conhecidos ou desconhecidos. O meu agradecimento a todos os poetas que doam a sua poesia.

O meu agradecimento a vós todos que, como eu, gostais de poesia.

Como humilde poeta, mas poeta, não posso deixar passar este dia sem que vos diga, que respiro poesia, que amo a poesia, que a poesia faz bem à alma e regenera o corpo.

A poesia é para mim a expressão da alma - a alma de poeta - e se por vezes pareço morrer num verso, ressuscito novamente num canto, - no canto mágico dos poetas.

Hoje é o nosso dia: o dia da poesia e dos poetas.

A poesia é linda!

A poesia é eterna!

Rogério Simões

21-03-2007

 

 

SINTONIA

 

Contigo, aprendi a saber o que é unidade

A ouvir o que não chega ser dito,

A sentir o que tu pensas,

Sabendo que pensas o que sinto…

Aprendi a saber de mim, através do que sei de ti…

 

Aprendi a conhecer o silêncio

A conhecer o seu dicionário mudo

Apenas pelo olhar,

Não preciso de palavras, para saber de ti

E sei que também não precisas

Porque sabemos o que sentimos…

 

Aprendi a suportar o mistério que nos une

A força que nos comanda

A energia que sentimos…

 

Aprendi contigo o valor de sermos “dois” e “um”

Estarmos juntos, estando separados,

Numa integridade única de quem sabe o que quer…

 

Aprendi contigo e com essa empatia

Que temos ainda muito que aprender

Que rir, cantar, chorar e amar

É apenas o segredo de sermos

Duas almas num só corpo…

                   MARIA CELIA SILVA

 

 

Dúvida

Romasi

 

Vejo-te ir,

Não vou conseguir chegar,

Se partir…

Vais regressar,

Mas tu já saíste,

E eu fiquei!

Deriva de mim a dúvida

E o conselho a seguir:

Rir de acordo,

Ou acordar a rir,

e ir

Ir por aí

Por onde o meu passo me leva

Atrás de tudo e de nada,

Porque tudo afinal se queda

 

Estou novamente perdido!

Vi-te partir,

Vais regressar,

Afinal prometeste voltar…

1985


 


 

 

 

 

 

“ O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve

Na dor lida sentem bem

Não as duas que ele teve

Mas só a que eles não tem.”

Fernando Pessoa

 

 


 

 

POESIA! QUERO NAMORAR CONTIGO…

(Rogério Martins Simões)

 

Nos tempos de diamante em bruto,

quando o horizonte era a eternidade,

escrevia poemas no universo estrelar.

Nesses tempos de que me lembro bastante,

por não recordar os poemas,

costumava versar as estrelas cadentes e,

pendurado na ponta de um cometa,

atravessei galáxias

onde registei os meus versos.

Certo dia reparei, porque o disseram,

que as estrelas cadentes eram, afinal,

restos de poeiras cósmicas

– Mas eu não acreditei!

Sempre que avistava uma estrela cadente

 escrevia um poema.

Era como os devolvessem embrulhados em luz…

- Rogério que fizestes aos poemas?

-Os poemas maiores são todos aqueles

que se soltam das palavras

e tão libertos esvoaçam sem vento,

sem tempo…

Talvez eu veja na poesia

a forma mais sublime

de passar a barreira

 da comédia das nossas vidas.

Prefiro as cerejas penduradas nas orelhas.

Beijar a lua

e acordar numa gota de orvalho

manhã cedo de Outono.

Poesia! És tão linda!

Gosto tanto de namorar contigo.

18-09-2006 22:49 

 

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óleos, poesia, Bete, Tiago e Rogério

(Óleo sobre tela - Elisabete Palma)

VESTÍGIOS…

Rogério Martins Simões

 

Por vezes faço as pazes comigo,

Sem-abrigo, viajante diurno,

Durmo ao leme, embarco e sigo,

Ponho a minha alma de turno…

 

Meus medos são cerejas fingidoras

Que se me enrolam nos dedos.

Meus medos são janelas voadoras

Que esconjuram os medos

 

Não quero esticar a corda

Sigo em frente sem enredos

Cem segredos a minha alma recorda.

Hoje sou um rio sem segredos.

Cego viajo, sem tempo acorda.

Acorda! É dia e a noite remonta!

 

É estranho viajar de dia!

Prefiro as noites cegas

Sem guia…

Que não têm regras.

Hoje, sou um farelo amadurecido!

Sou um tempo de milho

Bem-parecido

Mas só a noite me encontra!

 

23-10-2006

 

 

 

 

 

 

Tio Rogério

 (TIAGO SIMÕES)

Tens um olhar sublime como o mar
um gesto sereno como a brisa do vento
um abraçar como a luz do sol
as palavras como água de nascente.
Num gesto transformas muito
porque tens alguém junto a ti
que é como a areia molhada pelo mar
como o doce cheiro da terra no Outono
como um campo de flores quando a Primavera chega.

17/12/2006

(obrigado Tiago, meu sobrinho, pelo poema que deixaste em forma de comentário. A Bete e eu agradecemos as tuas lindas palavras.

Fico à espera de poemas teus e de fotos dos teus quadros.)

E para que conheçam um pouco da sua arte - eis este belo quadro, que adquri em 2000, em que o Tiago foi co-autor)

Rogério Simões

 

 

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Eugénio de Andrade

 

EUGÉNIO DE ANDRADE

Rogério Martins Simões

 
Lenço alvo... acena
Na cena da despedida
Lírio do campo
Minha alma açucena
Toda vestida de branco
Por ti
 
Pudesse eu juntar-te rosas...
Às tuas orquídeas e frésias...
É ainda Primavera!
Dou-te um cravo vermelho
Colhido na minha cidade.
 
É tarde!
Não vai chegar a tempo...
Não ouvirás falar de mim
Encarnado na resistência
Entre fragas e falésias...
Poeta menor, assim.
 
De génio e claridade
É a tua poesia
Minha alma açucena
Toda vestida de branco
Por ti
Eugénio de Andrade
14/06/2005
 
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Derradeira oração

 

 

 

 

A derradeira oração marca uma época da minha vida.

A guerra colonial estava a marcar profundamente a minha juventude e as cicatrizes nos corpos das vítimas inocentes enlutavam as famílias.

Católico praticante, militante na Juventude Operária Católica, não concebia, devido aos ensinamentos e à minha consciência, ter de pegar numa arma para matar. Daí as contradições. Por um lado o ensinamento Cristão - não matar; por outro lado era-se obrigado a pegar em armas para salvar a pele.

 



 

DERRADEIRA ORAÇÃO

Romasi

 

Senhor meu Deus,

para aqui ando a combater

nesta horrível e tremenda guerra

e que tenho de matar

para salvar a minha terra,

perdoa-me!

Antes não quero viver

que ser vil assassino.

Como tantos demais…

que mataram nossos pais,

e nos querem matar a nós.

Levai-me,

Dai-me a morte

Levai-me para junto de vós.

 

No meu capacete de aço já furado,

Com sangue derramado,

outra bala bate com furor.

Se mais abaixo fosse

já não existiria

e tudo acabaria.

Mas que contas Vos haveria de dar

Que fizera eu para este mundo salvar

Se me tinha acobardado?

 

Nada!

Antes quero morrer

A ver alguém perecer

Com uma praga na boca

Por eu o assassinar.

 

De novo outra bala me bate.

No peito uma mancha de sangue.

Caiu no chão!

Estou exangue!

Minha vida já findou!

Tudo está acabado!

Já não sinto o coração.

Já nem posso rezar

a minha última oração.

22/08/1968

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Alentejo, debruado a Arraiolos

Alentejo.jpg

(Óleo sobre tela Elisabete Sombreireiro Palma)

 

Alentejo, debruado a Arraiolos
Rogério Martins Simões
 
Na dourada planície alentejana,
Onde o sol penetra e tudo teima,
A falta de água, mísera e insana,
Quebra a vontade, abate e queima.
 
Nessa imensa e dourada pradaria,
Onde o vento de suão seca a cortiça…
Leva consigo, numa lenta agonia,
O suor a que chamam de preguiça.
 
Mas, o Alentejo, é belo e majestoso!
Quem o ama, chama-lhe de formoso.
Quem parte, volta!, nunca diz adeus.
 
Por isso há sempre vozes em coro.
Canto alentejano em vez de choro.
A alma alentejana é força de Deus!
19-04-2005
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Eis aqui um homem

(Foto Padre pedro)

 

 

 

EIS, AQUI, UM HOMEM!
Romasi
Rogério Martins Simões
 
Eis, aqui, um homem,
nos passos vazios da história,
na penumbra do esquecimento,
objecto, e falsa lamúria,
dormitando numa toca de rato…
 
Eis, aqui, o homem:
Estátua nocturna;
abandonado à chuva,
fruto desta sociedade moderna,
que o transforma num pato…
 
Eis, aqui, e por todo o lado,
seres humanos sem idade,
(iguais na desigualdade),
vergonha da indigesta sociedade
que na ganância engole o prato…
 
E se ao fim do dia
sobrarem os jornais,
com que se cobrem os indigentes,
e os demais,
que desçam dos pedestais
oh insanas gentes:
- P´ro relento como dorme o gato!!!
 
Lisboa, Fevereiro de 1975
(Registado no Ministério da Cultura
- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –
Processo n.º 2079/09)
 
 
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Água salgada

 

 

 

Água Salgada

Rogério Martins Simões

 

Tenho sede...e sofro

É em vão a minha dor.

A vida acaba

Quando espero o seu começo.

Triste, já cansado,

Fatigado de andar

Busco água

No oceano da vida.

Retiro-me, procuro o mar

Mergulho…,

Afogo a minha sede de vida!

E morro…

Olhos salgados de mar…

 

Novembro de 1968

 

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amrosaorvalho.gif

MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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