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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

Amália Rodrigues e David Mourão Ferreira

ABANDONO

DAVID MOURÃO FERREIRA



Por teu livre pensamento
Foram-te longe encerrar
Tão longe que o meu lamento
Não te consegue alcançar
E apenas ouves o vento
E apenas ouves o mar


Levaram-te a meio da noite
A treva tudo cobria
Foi de noite numa noite
De todas a mais sombria
Foi de noite, foi de noite
E nunca mais se fez dia.

 

Ai! Dessa noite o veneno
Persiste em me envenenar
Oiço apenas o silêncio
Que ficou em teu lugar
E ao menos ouves o vento
E ao menos ouves o mar.

 

 

Aqui deixo um belo poema de David Mourão Ferreira na voz de Amália Rodrigues.

Amália gravou este poema nos anos 60 do século passado…

Ao fazer esta justa homenagem ao poeta e a Amália só me restam duas palavras

“ que coragem”

 

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Praia do Paraíso

 

 

PRAIA DO PARAÍSO

David Mourão Ferreira

 

Era a primeira vez que nus os nossos corpos

Apesar da penumbra à vontade se olhavam

 

surpresos de saber que tinham tantos olhos

que podiam ser luz de tantos candelabros

 

Era a primeira vez  Cerrados os estores

só o rumor do mar permanecera em casa

 

E sabias a sal  E Cheiravas a limos

Que tivessem ouvido o canto das cigarras

 

Havia mais que céu no céu do teu sorriso

madrugada de tudo em tudo que sonhavas

 

Em teus braços tocar era tocar os ramos

que estremecem ao sol desde que o mundo é mundo

 

É preciso afinal chegar aos cinquenta anos

Para se ver que aos vinte é que teve tudo

 

(Obra Poética de DAVID MOURÃO-FERREIRA 1948 – 1988)   

 

 

 

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David Mourão Ferreira - As últimas vontades

Óleo sobre tela

 

Elisabete Sombreireiro Palma

 

 

 

As últimas vontades

 

DAVID MOURÃO FERREIRA



Deixa ficar a flor,

a morte na gaveta,

o tempo no degrau.



Conheces o degrau:

o sétimo degrau

depois do patamar;

o que range ao passares;

o que foi esconderijo

do maço de cigarros

fumado às escondidas...



Deixa ficar a flor.



E nem murmures. Deixa

o tempo no degrau,

a morte na gaveta.

Conheces a gaveta:

a primeira da esquerda,

que se mantém fechada.

Quem atirou a chave

pela janela fora?

Na batalha do ódio,

destruam-se, fechados,

sem tréguas, os retratos!



Deixa ficar a flor.



A flor? Não a conheces.

Bem sei. Nem eu. Ninguém.



Deixa ficar a flor.



Não digas nada. Ouve.

Não ouves o degrau?

 


Quem sobe agora a escada?

Como vem devagar!

Tão devagar que sobe...



Não digas nada. Ouve:

é com certeza alguém,

alguém que traz a chave.



Deixa ficar a flor.

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

amrosaorvalho.gif

MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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