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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

Turbulência

 

(Claude Monet)

 

 

 

 

TURBULÊNCIA
Rogério Martins Simões
 
Consciente do contraste que arrasto,
nos piores dias, quando me escondo
entre quatro paredes e me sufocam.
Quem me dera acordar da surdina
das palavras….
Na inconsciente turbulência
dos poemas que deixo de escrever,
que grito, e vão por aí.
 
Hoje sou eu próprio:
A métrica repetida
dos cantos marginais
e colectivos de dor.
Sou um completo deslize,
fora de tempo,
sem dar tempo
às palavras do coração.
 
Sou uma vaga de frio
que se enrosca pela manhã
numa tosse compulsiva.
Sou como uma fábrica,
sem chaminés,
encimada, “brada aos céus”…
 
Quem me dera ter manhãs
luzidias
de oblação e de oferendas…
 
E de repente,
como que a força que retém
a minha mão esquerda
rompesse a bruma da manhã,
apetece viajar,
subir ao mastro dianteiro
e cobrir a minha face lambida
de sal e mar.
 
24/02/2006

 

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Ciúme mata!

 

 

 

O ciúme mata…

(Rogério Martins Simões)

 

Abri a janela de meu quarto

Quatro paredes, um deserto…

Tenho a sensação de estar farto!

E o chão ali por perto...

 

Afunda-se a noite na alma

Na dor, por amor, tanto sofreu

Esta noite não está calma,

Está tão escura como o breu

 

Clamo por minha loucura

Quatro paredes um deserto…

Não tenho medo da altura

E o chão ainda mais perto...

 

Olho de novo para o rio

Hoje não há luar de prata

É verão e tenho frio

E o meu ciúme mata.

 

Pairam as nuvens que o ciúme deu

A lua não tem mais lugar certo

Amor o que te aconteceu?

Tristemente perdido perto…

 

1989

 

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Estas palavras, agora, não serão virgens...

 

 

ESTAS PALAVRAS, AGORA, NÃO SERÃO VIRGENS

(Rogério Martins Simões)

 

Quando o desespero nos aperta

E do peito saem soluços

É que o gesto

Toma o lugar incerto

O caminho louco

Corre louco

Como a pena com que escrevo.

Alinho minhas palavras

Cem palavras

Ritmadas

A muita pulsação

Por minuto

E nesta cadência

Arrasto

Meu arrasto

Minha canoa virada ao tempo.

E que gesto

Meu gesto se transforma

Num acto

Numa viagem apressada

Cadenciada

Vencendo quem sabe

O desastre que arrasto

À razão do tempo adulto.

Que decência é a cadência do gesto

Do acto

Porque neste momento exacto

Mais palavras não serão virgens…

1978

(Caderno Uma Dúzia de Páginas de Poesia n.º 41)

 

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FORA DE TI SOU UM NOVELO...

 

(Óleo sobre tela Elisabete Sombreireiro Palma)

 

 

FORA DE TI SOU UM NOVELO

Rogério Martins Simões

 

Erguem-se as montanhas.

Perfilam as imagens.

Vêm através de mim,

ensina-me o caminho das margens…

 

Meu amor volta depressa

Tenho as minhas mãos tão pesadas

Que nem as mando poisar

Meu amor regressa

Tenho as mãos tão cansadas

E não as posso libertar.

 

Fora de mim sou um novelo,

que se desprende,

entre os dedos alinhados.

Fora de ti sou um elo,

que se prende,

entre os dedos desalinhados

 

Tenho as mãos tão pesadas

não as consigo desapertar.

Tenho as mãos tão cansadas

Que não as consigo soltar….

 

Salta para o meu cavalo de chuva

que se ergue à porfia.

Vem de um pulo só.

Leva-me contigo depressa

 

Meu amor regressa

Tenho as minhas mãos tão pesadas

Que nem as mando poisar

Meu amor volta depressa

Tenho as mãos tão cansadas

Que nem as posso libertar.

 

03-05-2006 15:30

 

(À minha companheira BETE que pinta

e com a tinta do seu amor suaviza a minha Parkinson)

 

 

 

BETE

Amor da minha vida, minha companheira, esposa e pintora.

Não existem palavras suficientes e bonitas, (pois linda és tu!), para te expressar o que sinto neste instante, pela tua dignidade, pelo amor demonstrado ao longo destes anos de enorme sofrimento que ainda agora começa…

Este é o teu mês - balança que equilibra o que resta de mim.

Até ao dia do teu aniversário, 19 de Outubro,  voltarei a colocar aqui alguns poemas que te escrevi. Começo por este poema, “fora de ti sou um novelo”, que te dediquei quando estiveste internada e me sentia perdidamente à deriva…

Sempre

Rogério

 

Bete

Rogério Simões

 

Bete

Janela aberta

Sol penetrante, o teu,

Na hora certa:

Tão radiante e meu!

19/10/1999

 

 

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No desespero do gesto

(Foto cedida pelo Sr. Padre Pedro)

NO DESESPERO DO GESTO

Romasi

 

No desespero do gesto

Do acto à rotura no amor

Há um rompimento modesto

Entre o sofrimento e a dor

 

Não há amor sem tempero

(Olhos mordendo o rosto)

Nem recuos no desespero

Nem avanços no desgosto

 

E se no momento do acto

O acto ultrapassar a razão

Chegou o momento exacto

De passar do acto à acção

 

Pelo acto da partida

Pela porta ou pelo ar…

Conseguirei entrar na vida

Onde vida tiver lugar…

 

1975

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Seca a boca

 

 

SECA A BOCA
Romasi
 
Seca a boca
corta a garganta
e a lâmina penetra…
Afundo…
 
No fundo,
o fundo chama.
A chama ateia…
à teia onde me enlaço:
O laço!
O abraço!
A  sede…
que me asfixia a garganta...
 
Ai a chama!
Ai o medo!
O abraço onde cedo…
 
Seca-me a boca
e encho a taça.
Choro as minhas lágrimas
asfixiadas!
 
- Vai-te embora!
Quero continuar só…
 
Lisboa, 1984

 

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Palavras amargas

 

 

 CLAUDE MONET

 

 

 
 
Palavras amargas
Rogério Martins Simões
 
Grito, castigo,
Amigo,
Ponte.
Atravesso a ponte
Nadando.
Penando
E para aqui ando…
 
Andei para a ponte…
Atravessei o muro…
A murro, a cinto
E sinto o meu corpo
Tingido de púrpura…
 
Aponto!
Aponto…
Todos os dias a consciência
Aponto a continência
A abstinência
A turbulência
Que me lixa o peito
Que me traz vivo.
 
Agito
Este carvão consumido
Agito a minha ida
E vou a nado
Para a outra margem
Salto a torre de menagem
E de lá parto, também,
Sem saber para onde.
 
Quero resistir
Os tempos são de mudança
Sei para onde quero ir
Parei na descida
Regressa a minha confiança
Tenho de refazer a minha vida…
 
1989

 

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amrosaorvalho.gif

MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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