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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

POEMAS DE AMOR E DOR

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Fogo na Póvoa – Pampilhosa da Serra (Memórias)

FOGO NA PÓVOA – PAMPILHOSA DA SERRA (MEMÓRIAS)

 

Um dia, quando era menino, brincava no alto da serra com outros meninos.

Os meninos gostam de liberdade e eu voava ao vento por entre carquejas e pinheiros.

Nesse dia o calor apertava e a serra convidava-me a correr.

Lá no alto num lugar designado por Feteira, perto da nossa Feteira onde ia aos cachos e aos figos, avistei um enorme incêndio que consumia tudo à passagem e cortava a minha respiração.

Desatei a correr e confesso que fui muito mais rápido que o meu futuro companheiro das correrias, o Fernando Mamede. Só que nem o Mamede nem o Carlos Lopes estavam por perto, pois, se estivessem, correríamos todos ao desafio como passados alguns anos o fizemos.

Cheguei à Póvoa e desatei a gritar: Vem aí o fogo, vem aí o fogo!

Quem se importa com fedelhos! Tomei uma decisão - saltei para a corda do sino e toquei a rebate.

Veio o povo! Ralharam comigo! A minha tia puxou-me as orelhas!

Era o dia 3 de Setembro, finais dos anos de 50, dia da Festa na Póvoa.

Festa é festa! E se o fogo consumia o mato em outras aldeias - alguém o apagasse…

No final do dia o fogo consumia os terrenos da feteira e os pinheiros da aldeia.

Todos gritavam, tocaram os sinos a rebate e lutei, lutei como um herói com um ramo de pinheiro na mão.

O fogo? AH! Esse parou, como por milagre, rente aos nossos pinheiros da Feteira.

Um abraço ao correr da pena

Rogério Martins simões

 

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Terra queimada

TERRA QUEIMADA

Rogério Martins Simões

 

Pegara na caneta e pusera de parte o olhar. Diria, quem o visse, que era um antigo hábito pela forma decisiva como escrevia.

Ao começo hesitou nas palavras que nem tinha pensado em escrever; na verdade não pensava em coisa nenhuma, apesar de começar a preencher, no papel, umas quantas linhas de um caderno vazio.

Aquele verão não tinha nada de parecido com o que, por regra, a terra deixava antever nesse local: umas quantas nuvens reprovavam a paisagem. Dir-se-ia, que o vento as pendurava do mar. Tudo se está a alterar – pensava.

Recentemente tinha visto um documentário que o impressionou. Certamente não se recordava de tudo, mas aquelas imagens com cidades irreconhecíveis ficaram-lhe gravadas nos sensores da memória. Não era apenas um acontecimento, mas, uma sequência descontrolada de factos anormais que faziam com que ele escrevesse.

Na mesma hora e em locais diferentes, onde a chuva deveria fazer a sua aparição, a terra queimava expulsando e queimando os homens e os animais.

Na terra queimada, há muito, tinha desaparecido o último vestígio verde e com ele, ou parte dele, todos tiveram de fugir.

Algum dia ele teria de voltar a escrever…

Meco 18/7/2010

 

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Lastro

 


 

LASTRO

Rogério Martins Simões

 

É tarde e a noite esfria.

É tarde, a noite avança.

Que é feito da minha esperança

que balança na noite fria

 

Rola o vento, apaga o encanto.

nas noites molhadas no pranto.

 

Lá fora arde um madeiro,

dizem que é o último…

Ultimo os meus pensamentos.

Que será de mim

quando acabarem as chamas.

 

Chamo por ti e não respondes.

Volta!

Deixa ao menos que uma faísca

se espalhe e conserve a luz.

 

É tarde!

O madeiro é agora

um lastro de cinzas

prende a lua e as estrelas,

pinta-as de negro

e vai escondê-las

na sombra dum girassol…

 

É tarde, a noite avança.

Onde estarás, minha criança,

quando as cinzas taparem o sol…

 

27-12-2006 23:34:30

(Poema dedicado à poetisa Natália Correia)

 

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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