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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda




QUE COMER DO QUE RESTA DA ALDEIA?

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QUE COMER DO QUE RESTA DA ALDEIA?

Rogério Martins Simões

 

Fogo!

Não venha comer as minhas ovelhas.

Fogo!

Só sei apagar a fogueira…

Cruzes canhoto;

Já me ardem as orelhas

Vade retro

Deixe as nozes e a nogueira…

 

Tem noites,

Em que as noites são vermelhas…

Credo! Abrenúncio!

Vem por aí a feiticeira…

Ferradura atrás das portas

E cornos nas telhas…

Vade retro

Deixe os figos na figueira…

 

Fogo não volte

Para roubar o nosso pão.

Menino homem

Só tem medo do papão…

LOBA…

Que vai ser de si e da sua alcateia…

 

Dói a barriga de tantas amoras…

Ardem as silvas,

Os matos e as horas…

 

Que comer se nada resta da aldeia?

 

 

Meco, 29/07/2017 00:18:09

(Dedicado às Lobas... que tanto lutaram para terem uma vida melhor e que  com avançada idade não podem voltar a lutar)

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Roubava uma cereja...

Roubava uma cereja

Rogério Martins Simões

 

Poiso os olhos numa cereja,

Tão exposta ao olhar…

Antes que outra mão a veja,

Aquela vinha mesmo a calhar…

 

É meio-dia!

Ao almoço contam-se os tostões.

Pobre diabo que só pensa em bifes

E os vê por um canudo,

Antes fosse peta,

Ou brincadeira de Entrudo,

Que isto de passar “fome de rabo”

Com a barriga vazia

Até rábano se comia…

 

Engano e engasgo a fome…

Que por ter fome demais

Volto a pensar na cereja

Que vinha mesmo a calhar…

 

Meco, 2/11/2011

 

 

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RIO AO FUNDO

TELA DE ELISABETE SOMBREIREIRO PALMA

O RIO AO FUNDO…

Rogério Martins Simões

 

O rio ao fundo do vale

Leva consigo as lágrimas deste povo que sofre,

Deste povo que labuta e vê partir nas águas

Outras almas em busca de outros mirantes

Que triste é viver num país sem esperança,

Sem futuro!

Meco, 05-10-2011 01:33:52

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Cresce a raiva na garganta

Foto do World Press Photo Contest

 

CRESCE A RAIVA NA GARGANTA!

Rogério Martins Simões

 

Bem cedo as manhãs começam

com camas desfeitas e frias…

cansados à noite regressam:

Perguntem às ruas vazias…

 

Manhãs de novo recomeçam,

com canseiras e correrias…

cansados à noite expressam:

Desagravos, fome e fobias…

 

Mas se há tal força no pranto,

que recresce em cada canto,

cuidai deste desassossego!

 

Pois se tanta voz se levanta,

Cresce a raiva na garganta:

- Chega; de tanto desemprego!

 

Aldeia do Meco – 12-06-2010 22:57:41

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Sitiaremos a cidade...

 

 

(foto da World Press Photo Contest 2004)

 

 

 

SITIAREMOS A CIDADE…
Rogério Martins Simões
 
Estou farto de ser sorvido
por parangonas,
por promessas incumpridas,
libadas pelos criadores
de regras asfixiantes
que nos conduzem ao abismo…
nas amplas… liberdades…
 
Se disserem: o povo tem fome!
Os governos das cidades…
irão gizar o que nunca sentiram?
 
Estaremos no centro do universo:
Das abstracções?
Dos raciocínios?
Das interjeições?
Das preocupações?
 
Deixará o sofrimento
marcas
a quem nunca sofreu?
 
Que lhes importam as palavras,
os compêndios e os códigos,
se os donos das cidades
dominam a fonética.
És apenas mais um voto,
um número
de uma fita métrica…
 
Que sentido tem a dor,
a solidariedade, a paz,
a justiça e o amor?
 
Sabes:
Os pensamentos dispersos,
aglomerados,
submergem a universalidade
dos pactos nocivos,
as ideias impostas,
e os convénios idolatrados
dos mestres das apostas…
 
Pensas? Que mais queres?
Pensas? Tens de agir!
Sitiaremos a cidade…
 
Lisboa, 30-05-2008 19:21:51
 

 

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Seguro da insegurança...

 

Seguro da insegurança

Rogério Martins Simões

 

Torres vigiam a casa assombrada

onde perpetuam marginais e abstractas letras

de uma desconhecida liberdade.

 

A canalha... aproxima-se

verberando abstracções concretas.

No alto da torre seguem os carros pretos

chapeados com protecções e blindagens.

 

Blindaram os corações

para recolher os protestos.

Não! Os protestos não chegam às torres…

Aparam os ouvidos,

com guardanapos ao tiracolo,

e vestem camuflados para vigiarem o solo.

 

Para manterem a forma exercitam-se

encolhendo os ombros

e olhando de soslaio.

 

A segurança mantém asseguradas

as palavras contrárias

e perseguem quem se oponha à segurança!

 

Se lhes virar as costas dirão que sou poeta…

 

Dispararam às cegas e atingiram um colibri...

Do mar saltam alforrecas e camarões!

Os moribundos mascam, agora, folhas de coca

A segurança contra-ataca com a segurança dos narcóticos

Do deserto partiram legiões imprecisas de escorpiões.

Dizem que um bando de loucos

se escondeu numa toca

 

Toca docemente um violino cego

E ouve-se uma canção de embalar:

- Que será de ti meu menino

Se o povo não se revoltar

 

Corre um vento forte.

Ouvem gritos!

Se virar as costas

dirão que não sou poeta…

 

Um abraço para ti José Baião

1/03/2007

Rogério Simões

(correspondência entre poetas)

 

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Improviso da alma e do poeta

NationalGeographic.jpg



 

 

Improviso da alma e do poeta
(Rogério Martins Simões)
 
Dia a dia o desamor
Quebra o sentido da vida
Sofre-se em segredo
E na incerteza...
Reina a ganância,
A injustiça
O sofrimento, a pobreza
E o medo!
 
É fácil dizer:
Temos de ser solidários!
Ser… não é fácil?
A vida é tortuosa,
Manhosa
Vai tudo numa pressa.
E na pressa tudo olha
Nada se vê!
 
Olho! Nada vejo!
Olho! Nada sinto!
Olho! Olho! Olho!
Que vejo?
 
Vai tudo na pressa
À velocidade do salário.
Vai tudo na pressa
À velocidade do ganho!
E o homem virou máquina,
Computador
Autómato.
 
Mas… o luar está igual
O céu não mudou!
 
Mudou a humanidade
Que perdeu a individualidade.
Passámos a ser números,
Peças de inventário.
Desumanidade!
 
Dia a dia
Caem os valores morais
Perfilam as estatísticas
Dos ganhos:
Ganha a produção:
Ganha-se menos!
Trabalha-se mais:
Ganha-se menos!
Que importa?
Se um homem tem fome?
E se há revolta.
Que importa?
A quem importa?
Importa é o dinheiro
Ser rico,
Virar banqueiro.
 
Mas… a areia cintila no deserto!
E nem tudo o que brilha é oiro
- Não vedes o céu a irradiar?!
 
Não! A humanidade não luz:
A sociedade é egoísta,
Prolifera o desamor.
Importa é estar na "berra"
E neste egoísmo nada sobra.
Está quase a bater no fundo!
 
Estes tempos são difíceis
Só há tempo para o fútil,
Para a notícia brejeira,
Para a asneira
Para a coscuvilhice.
E nesta agitação…
A alma consome
E o corpo mata.
 
Mas o mar permanece azul!
O melro assobia
O vento vira furacão.
 
Passou o tempo…
(O tempo passa depressa)
E na pressa
Não há tempo para filhos.
Dos filhos para os avós.
Dos avós para os netos.
Dos meninos para a família!
 
Volta poesia!
Volta poeta...
Acredita...
Que estamos no Outono,
Mais logo… será Inverno,
Vem aí a Primavera
Tudo será verde… renascido,
E de volta ao lar,
Em redor da lareira
Quando o dia findar,
Os avós,
Os pais
E os netos
Recordarão histórias da vida,
Contadas sem segredos,
(Segredos bem guardados).
E desses segredos
Renascerão
Os gestos colectivos de amor
Repreendidos
E esconjurados
Os actos egoístas
De desamor.
 
E os meninos
De volta às escolas
(Sem números nas camisolas)
Pintadas a lápis de cor
Vão ter recreios doirados
Em mil e uma aventuras.
E se treparem às arvores,
Subirão à “Torre de Babel”
E todos se entenderão
Na mesma língua.
Porque a terra vai ser paraíso
E os frutos não mais serão proibidos...
 
Lisboa, 29-10-2004 22:27:03
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Penetro na noite sombria...

 

(World Press Photo Contest 2004)

 

 

PENETRO NA NOITE SOMBRIA

(Romasi)

 

Penetro na noite sombria

e vejo gente ao lixo

apanhando o papel velho dos jornais.

Trazem notícias de guerra,

ânsia de paz…

arraiais…

 

Quantos só agora souberam da guerra:

Ou por que não a fazem!

Ou por que não aprenderam a ler os jornais...

Para quê?

Se não há dinheiro para os comprar!

Mas há, sempre uma mão

para trabalhar,

um saco vazio para encher

e a fome para matar…

 

Um carro desloca-se a pouca velocidade

O motor... parece falhar

com o frio que o arrefece.

 

Um gato afasta-se para salvar a vida…

O cão procura o osso…

que escondeu outrora…

para logo fugir

com medo de ser apanhado pela carroça…

 

O dia nasceu!

O sol já penetra nos vidros dos escritórios vazios

e os trabalhadores vêem pendurados nos eléctricos

superlotados de aumentos…

 

Agora já não andam ao papel

porque a vergonha chegou...

Agora gira tudo na monotonia do dia

E tudo faz parte da vida…

 

Lisboa, 1967

 

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Na revolta do cajado...

 

 

Na revolta do cajado

ROMASI

 

Sobem o monte

O pastor, o cajado e o cão!

Quanto mais se vergam

Maior é o trambolhão!

 

-EH farrusco!!!

Ah! cão de uma figa

Vai... dar a volta aos porcos.

 

Dizem pelos montes

Queixam-se os antigos

Que os donos dos porcos

Só dos porcos são amigos…

 

- Vai-te a eles Sereno!

- Anda varrão oooooo

Maldito javardo…

Marrano ladrão!

 

Fala-se por estas andanças

Que os porcos

São delícias nas matanças…

 

- Volta Sereno!

Anda Farrusco!

Venham cá roer do nosso!

Merenda de pastor

Fome de cão!

Toucinho cru

Naco de pão

 

Diz-se e não se enganam

Gado gordo,

E pele tostada

Pastor seco

Liberdade castrada.

 

Dizem agora no monte

Quando os pastores se juntam

Que amanhã irão comer o porco

Na revolta do cajado…

 

27/01/1971

 

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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