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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda




Rogério Martins Simões

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20.04.17

Contest.jpg

 

World Press Photo Contest 2004

 

Banho

(Romasi)

Rogério Martins Simões

 

Esta é a noite

Do casamento

Entre a violência e a inocência

Entre a granada e o camarada

Porque o sangue que corre

É uno

Com o ferro

Dos estilhaços da metralha.

 

7/10/1974

 

 (memórias do poeta - Vietnam)

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09.10.08

De Serviço Militar Caldas da Rainha e TAVIRA 2ª turno de 1970

 

 

 

MORSE
Rogério Martins Simões
 
Traço, traço, traço, ponto
Morse, morse, morse morte…
Mais homens, mais gente.
Traço, traço, pouca sorte
Vai partir um contingente!
 
Pouca terra, pouca terra…
Lenços e preces agitam-se no ar
O pranto fustiga todo o cais…
Partem os noivos; chora o mar…
Os filhos, os amigos e os pais!
 
Traço, traço, traço, pronto
Regressa de novo o transporte
Beijam-se os filhos e os maridos
Agitam-se os lenços garridos
Traço, traço, traço, sorte…
 
Morse, morse, morse morte
Apita o barco engalanado
- O soldadinho vem no porão
Marido e o filho tão amado
Que regressa… num caixão!
 
Traço, traço, traço, ponto…
 
 
Lisboa, 14/02/1969

 

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09.12.07

(Foto do World Press Photo Contest 2004)

 

BALE O CORDEIRO ZUMBE O MOSQUITO

Rogério Martins Simões

 

Bale o cordeiro, zumbe o mosquito

Chia a doninha, uivam os chacais

E no meio de tanto canto e grito

Uiva o leão que é rei dos animais

 

Grita o pato, o pavão e o periquito

Trina o rouxinol, piam os pardais

Assobia o melro bem forte e aflito

Está a chegar o terror dos pombais…

 

Pata sobre pata vem a velha raposa

Que regouga assustando o estorninho

- Asas que te quero, grita o passarinho

 

Palra o papagaio rompendo com a prosa:

- Só no reino da fábula a paz é douradora!

Trr; tac tac tac ouve-se a metralhadora…

 

20-04-2005

 

 


MENINOS DA GUERRA

Rogério Martins Simões

 

Meninos da guerra

Quem vos foi acordar?

Não foi a mãe terra

Nem por certo o mar!

 

Meninos da guerra

(Tão velhos já o são)

Quem vos deu as armas

Que levais na mão?

 

Meninos da guerra

Que jazem no chão

Quem vos roubou a vida

Não foi a terra! Não!

Pois a mãe terra

Vos prometeu o pão…

 

09-09-2005 19:08

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

07.12.07

 

 

 

DARFUR - SUDÃO

Rogério Martins Simões

 

Era uma noite, tão noite,

nem uma só luz existia,

as velas, acesas, não brilhavam.

Lá fora nem luar havia…

 

Metia medo!

Ninguém dizia!

Ninguém murmurava…

O silêncio era gélido!

Esperavam o dia

e os corações sangravam…

Medrosa agonia,

Metia medo!

Ninguém diria…

 

Vieram os cavaleiros de negro…

Despedaçaram as portas!

Violaram! Mataram!

Derramaram o sangue!

Verteram-se as lágrimas!

Levaram os moços!

Incendiaram o chão!

Queimaram os corpos em pira!

Envenenaram os poços!

E partiram sedentos de ira!

Que tragédia é essa - Sudão?

 

Voltou o dia!

Fez-se noite!

Viram-se de novo as estrelas!

Que é do teu povo Sudão?

4/4/2005

(Dedicado a João Paulo II)

 

 

 

 

(Vila de Bir Kanji

FOto d Human Rights Watch)

 

 

 

Decorre em Lisboa entre 8 e 9 de Dezembro de 2007 a Cimeira EU-ÁFRICA

 

 

Província ocidental do Sudão, o Darfur é palco, desde Fevereiro de 2003, de uma guerra civil que fez cerca de 200.000 mortos e mais de dois milhões de deslocados, segundo as organizações internacionais.

 

Vigília por Darfur

Esta Vigília tem como objectivo demonstrar a solidariedade com as populações refugiadas do Darfur a braços com um drama humanitário de grandes proporções e promover a divulgação de projectos concretos de ajuda humanitária de emergência em desenvolvimento no terreno.

A iniciativa será uma reunião pacífica em que se pedirá a cada pessoa para trazer uma pequena luz (lanterna, isqueiro ou vela) que será acesa como símbolo de desejo de Paz e Solidariedade.



Lisboa, 8 de Dezembro, 19h

 

Parque das Nações, na praça entre a Gare do Oriente e o Centro Comercial Vasco da Gama.

http://darfur.blogs.sapo.pt/

 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

24.09.06

TANTO BOMBARDEIRO

Rogério Simões

 

Tanto bombardeiro

Com as armas apontadas

Ao coração do povo

Tanto bombardeiro

Derramando sangue inocente

Violando as culturas

Destruindo os rebentos da lavra…

Tanto bombardeiro

Tanto ódio

Hoje, por aqui,

Transformando a terra em cinza.

1973

(Lembrando o Vietname)

Poemas de amor e dor conteúdo da página

30.08.06

 

 

 

 

A derradeira oração marca uma época da minha vida.

A guerra colonial estava a marcar profundamente a minha juventude e as cicatrizes nos corpos das vítimas inocentes enlutavam as famílias.

Católico praticante, militante na Juventude Operária Católica, não concebia, devido aos ensinamentos e à minha consciência, ter de pegar numa arma para matar. Daí as contradições. Por um lado o ensinamento Cristão - não matar; por outro lado era-se obrigado a pegar em armas para salvar a pele.

 



 

DERRADEIRA ORAÇÃO

Romasi

 

Senhor meu Deus,

para aqui ando a combater

nesta horrível e tremenda guerra

e que tenho de matar

para salvar a minha terra,

perdoa-me!

Antes não quero viver

que ser vil assassino.

Como tantos demais…

que mataram nossos pais,

e nos querem matar a nós.

Levai-me,

Dai-me a morte

Levai-me para junto de vós.

 

No meu capacete de aço já furado,

Com sangue derramado,

outra bala bate com furor.

Se mais abaixo fosse

já não existiria

e tudo acabaria.

Mas que contas Vos haveria de dar

Que fizera eu para este mundo salvar

Se me tinha acobardado?

 

Nada!

Antes quero morrer

A ver alguém perecer

Com uma praga na boca

Por eu o assassinar.

 

De novo outra bala me bate.

No peito uma mancha de sangue.

Caiu no chão!

Estou exangue!

Minha vida já findou!

Tudo está acabado!

Já não sinto o coração.

Já nem posso rezar

a minha última oração.

22/08/1968

Poemas de amor e dor conteúdo da página

31.07.06

 

 

 

NATUREZA...MORTA
(romasi)
 
Tudo é deserto...
Ninguém
Vivalma…
E tudo me rodeia.
Além, um cantar:
A presença de um ser belo
Mas, todavia, insignificante,
Entra por meu ouvido
E perde-se na natureza.
 
Oh! Como o vento assobia
E nos faz tremer de frio!
Lá em baixo, no rio,
Um peixe salta das águas:
Talvez pule de contente!?
Talvez fuja do peixe maior
Que tenta cumprir a lei do mais forte.
 
Mas de novo o silêncio
Na natureza tudo pára:
As aves deixam de cantar
O vento já não sopra
Tudo pára para escutar
O barulho de marcha
E de um tambor a rufar.
 
Lá no rio,
Um barco esguio
Indica uma presença!
O cantar dos passarinhos
É agora um lamento
Do constante sofrimento
De quantos se batem no chão!
Aí, onde outrora flores cresciam,
Passam soldados em massa
Que horror, que desgraça!
A beleza
Muda
 Violada
Agora tudo é tristeza
E o barulho que percorre a serra
É um som terrível
Agoiro
É a guerra!
 
11/7/1968

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

20.06.06

(foto NGeographic)

Wiriamu

Romasi

 

Ficaste pelo caminho…

Aldeia de tantos anos

Teus homens

Donos de bocados de mato

Perderam-se na picada

Fora de pé

Entre a terra

E as chamas do napalme

Ficaste pelo pescoço,

Nas covas que tu mesmo abriste

Cortaram-te as goelas

Liberdade

E tu aldeia de tantos anos

Não mais terás cobras

Mordendo os teus rebanhos…

 

10/1974

Poemas de amor e dor conteúdo da página

18.04.06

 

Banho
(Romasi)
 
Esta é a noite
Do casamento
Entre a violência e a inocência
Entre a granada e o camarada
Porque o sangue que corre
É uno
Com o ferro
Dos estilhaços da metralha.
 
7/10/1974
 (memórias do poeta - Vietname)
Poemas de amor e dor conteúdo da página

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    MEIO HOMEM INTEIRO
    Rogério Simões
     
    Meia selha de lágrimas.
    Meio copo de água
    Meia tigela de sal
    Meio homem de mágoa.
    Meio coração destroçado
    Meia dor a sofrer.
    Meio ser enganado
    Num homem inteiro a morrer.
    11/4/1975

    Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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