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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda




Seguro da insegurança

Seguro da insegurança

Rogério Martins Simões

 

Torres vigiam a casa assombrada

onde perpetuam  marginais

e abstractas letras

de uma desconhecida liberdade.

 

A canalha… aproxima-se

verberando abstracções concretas.

No alto da torre seguem os carros pretos

chapeados com protecções e blindagens.

 

Blindaram os corações

para recolher os protestos.

Não! Os protestos não chegam às torres…

Aparam os ouvidos,

com guardanapos ao tiracolo,

e vestem camuflados para vigiarem o solo…

 

Para manterem a forma exercitam-se

encolhendo os ombros

e olhando de soslaio.

 

A segurança mantém asseguradas

as palavras contrárias

e perseguem quem se oponha à segurança!

Se lhes virar as costas dirão que sou poeta…

 

Dispararam às cegas

E atingiram um colibri!

 

Do mar saltam alforrecas e camarões!

A segurança contra-ataca

com a segurança dos narcóticos.

 

Os moribundos mascam,

agora, folhas de coca.

 

Do deserto partiram legiões,

imprecisas,

 de escorpiões.

Dizem que um bando de loucos

se escondeu numa toca

 

Toca docemente um violino cego

Ouve-se uma canção de embalar:

- Que será de ti meu menino

Se o povo não se revoltar

 

Corre um vento forte.

Ouvem gritos!

Se virar as costas

dirão que não sou poeta…

 

Um abraço para ti José Baião

1/03/2007

Rogério Simões

(correspondência entre poetas)

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Cresce a raiva na garganta

Foto do World Press Photo Contest

 

CRESCE A RAIVA NA GARGANTA!

Rogério Martins Simões

 

Bem cedo as manhãs começam

com camas desfeitas e frias…

cansados à noite regressam:

Perguntem às ruas vazias…

 

Manhãs de novo recomeçam,

com canseiras e correrias…

cansados à noite expressam:

Desagravos, fome e fobias…

 

Mas se há tal força no pranto,

que recresce em cada canto,

cuidai deste desassossego!

 

Pois se tanta voz se levanta,

Cresce a raiva na garganta:

- Chega; de tanto desemprego!

 

Aldeia do Meco – 12-06-2010 22:57:41

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Ceifeira campo de trigo a crescer

 

(Óleo sobre tela

Elisabete Sombreireiro Palma)

 

 

 

Ceifeira campo de trigo a crescer
(Romasi)
 
Há terra lavrada
E vida nas ceifeiras.
Há trigo desejado
Em cada espiga cortada:
Nasceram os filhos
Às ceifeiras!
E ouvem-se pelos montes
Cantos da esperança
Por cada nova jornada:
Cantem!
Porque chora uma criança.
 
Há terra lavrada
E vida nas ceifeiras
Haja alegria
Pois a espiga doirada
Deu mais trigo à jornada.
Viva o trigo a crescer
O povo a viver
Pois em cada espiga cortada
Há uma força redobrada
Da natureza a parir.
 
Viva! A espiga doirada
De trigo a sorrir.
 
1976

 

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Rio de peixe, mar de carne

 

 

RIO DE PEIXE, MAR DE CARNE…
ROMASI
 
 
Foste ao mar
Aventureiro
Rio de peixe
 
Tragaste o duro pão
Aventureiro
Mar de carne…
 
O mar estava calmo
Aventureiro
Rio de peixe
 
Varreste a onda em vão
Aventureiro
Mar de Carne…
 
Lançaste a rede na bonança
Aventureiro
Rio de peixe
 
Foste pescado…
Aventureiro
Mar de carne…
 
Escutaste o canto da sereia
Aventureiro
Rio de peixe
 
Porque o mar estava irado
Aventureiro
Mar de carne…
 
És bravo, és herói
Aventureiro
Rio de peixe
Mar de carne.
 
Lisboa 1973

 

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Percursos...

(Cópia 

Óleo sobre tela Elisabete Sombreireiro Palma)

 

 

 

PERCURSOS

Rogério Martins Simões

 

Andamos aos poucos

a escrever o livro das nossas vidas.

A libertação tem o seu preço,

pagamos caro a mudança,

sacudindo as roupa envelhecidas…

 

Que é feito dos vestidos de chita?

Onde estão os dedos finos delicados

que enrolavam os cabelos do menino?

E os caracóis? E as gotas

com que rebuçava o olhar de mel?

 

Tartarugas luzidias rastejam

recordando que já foram cágados…

Abro o saco e liberta-se

um louva-a-deus…

 

Manejo uma espada de madeira,

herói da banda desenhada.

Ergo a espada de nada

e faltam-me as sílabas

que se escaparam

das folhas arrancadas.

 

Ainda assim quero escrever,

quero borboletear faíscas

para não ficar cego…

 

As recordações são agora

monstros cospe-lume,

dragões afinados…

Cordas partidas de um violino.

 

Liberto as claves de sol

para de novo te ver sorrir!

 

Um canto adormecido

embala docemente

um berço de silêncio.

Recupero o leite materno

num figo verde,

lábios rasgados.

 

Chupo um rebuçado

com sabor a mentol.

 

A tinta permanente secou!

O mata-borrão

levou as pontas do meu nome

(bem desenhadas

para caber entre duas linhas.)

Entrelinho as palavras desalinhadas.

Não dou a mão à palmatória.

Quando tudo passar serei glória.

 

Por agora vou afinando

as cordas estropiadas,

velha amarra dum batel.

A espada é agora pó

e já foi serradura…

 

Os cabelos, caracóis finos,

afinaram os violinos

numa nuca envelhecida

e cantaram vitória…

 

Ainda assim a fogueira

não destruiu tudo

e o combate ao dragão

queima-tudo,

ainda agora começou.

 

O fumo das folhas

é agora nosso.

E os versos também…

 

26-02-2007 0:23:20

 

(Ao correr da pena, dedicado à poetisa

Maria Célia Silva)


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Escutei um rugido ao vento...

 

(Óleo sobre tela Elisabete Sombreireiro Palma)

 

 

 

 

ESCUTEI UM RUGIDO AO VENTO
Rogério Martins Simões
 
Escutei um rugido ao vento.
É vento! Não oiço a nora a chiar.
Ondas do meu pensamento,
Pois, a nora já não pode rodar!
 
Roda tudo – A nora foi no desalento…
Foi tempo! A nora não tem muar.
- Nora que é do teu jumento,
Que girava, girava, sem parar?
 
Roda tudo, o passado e o presente
- Nora onde está a tua gente?
O campo árido e a água por deitar,
 
Pastagem seca! Rebanho sem pastor.
- Escutai! Não é vento, é um clamor:
Partiram para sempre por terra e mar!
 
25-08-2005
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Vieram de longe

 

 


 

 

(Capela da Póvoa - Pampilhosa da Serra) 

 

 

 

 

 

Vieram de longe
Rogério Martins Simões
 
Vieram de longe de onde se avista a pinha!
De olhos esperançados e o rosto enrugado,
Com rugas do cansaço de trabalho na mina.
Sempre por perto porque longe fica ao lado…
 
Vieram para Lisboa para perto da linha:
Que os viu chegar no comboio apinhado.
Estrangeiros na sua terra; que estranha sina,
À procura de trabalho mais remunerado.
 
Trabalhavam, sol a sol, qual terra prometida.
Visitavam a aldeia já cansados da vida,
Onde colhiam os cachos e faziam o vinho…
 
Esventraram montes e derrubaram as colinas…
Construíram as pontes, cruzaram as esquinas!
E regressaram às aldeias no final do caminho…
 
2004-04-23
(Aos meus pais)
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Abismo pátrio

 

 

Abismo pátrio

José Baião Santos

 

trago de volta a lua sonâmbula

de álamos e alma articulável

dois dedos fazem grande diferença

na forma de segurar uma criança

 

trago na consciência sinos bizarros, alarmes falsos

só de ver os palcos adoecer no leito dos versos

ser afinal um, entre pusilânimes e ascetas

que de tanto voar se diz descendente de profetas

 

trago nacos de fome dentro do alforge

para matar serpentes neste meu abismo solitário

e quando se ouvir o arrastar das correntes

já estarei livre de salafrários e de impotentes

 

para quê cuidar dos jardins

enrolar o sémen das palavras ao coração

fingindo que todas as estrelas permanecem deitadas

nas margens fósseis dos rios das levadas

 

estou prestes a cair - a qualquer momento

posso contrair uma lesão multicelular

exposta     Mas fiquem a saber que

me é tão indiferente rasgar as unhas ao nevoeiro

ou cantar à desgarrada

para salvar o que resta da pátria e da musa deificada

diante do busto inacabado dum poeta caeiro

 

 

 

Aquele abraço

7/03/2007

José Baião Santos

 

(correspondência entre poetas)

 

 

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Abismo

 


ABISMO

Rogério Martins Simões

 

Tento dar tudo dando nada

Sou ditongo nasal,

tenho a narina entupida

Sou prova oral

tenho a voz engolida…

 

Ando cansado e as pernas

não flectem

Oiço barulho e estou surdo

Quanta tristeza vai em mim

Quanta mágoa!

 

Que sobra

se já não sou e pouco resta.

Resta o pensamento!

Carga imaginária

que não se esgota

que me afronta,

não me derrota e me limita…

 

Tenho a testa nos confins

do semblante

Desconfio da sorte

que não me sai

Desconfio da esperança

e do momento.

Cismo, cismo, cismo!

O corpo não mexe,

pouco importa

Importa-me a desventura,

má sorte,

Que me conduz ao abismo.

 

Vai,

segue em frente

que o precipício não te é

indiferente

Semente do desencanto

de quem tanto sofreu.

Vai,

segue agonia viajante

e diferente

E recorda-te que já fui sorte

05-03-2007

 

Boa noite José Baião

Rogério Simões

(correspondência entre poetas)


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amrosaorvalho.gif

MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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