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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

HERDEIROS DO MEDO

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HERDEIROS DO MEDO

Rogério Martins Simões

 

Derramam-se palavras incertas,

Presságios e angústias certas,

Das terras ao mar profundo.

Com que prece fogem do medo,

Os heróis do sobressalto, a salto

Das guerras dos senhores do mundo.

 

Soa um alarme que se solta,

Há náufragos no alto mar.

É tarde e só estará de volta

A onda para os levar…

Somos os filhos do medo,

Que levámos aos confins do mundo.

 

Com que fim se desdobra

A angústia e o mau presságio

Heróis do sobressalto, a salto

Através do mar profundo?

São os herdeiros do medo

Heróis sacrificados, deserdados

Nas mãos dos senhores do mundo.

 

Campimeco, Meco, 06/02/2018 15:28:14

Simões, Rogério, in “POEMAS DE AMOR E DOR”,

(Chiado Editora, Lisboa, 1ª edição, 2019)

1ª edição: Agosto, 2019

ISBN: 978-989-52-6450-6

Depósito Legal n.º 459328/19

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

Seguro da insegurança

 

 

Foto da

World Press Photo Contest 2004

 

 

 

 

 

SEGURO DA INSEGURANÇA
Rogério Martins Simões
 
Torres vigiam a casa assombrada
onde perpetuam marginais
e abstractas letras
de uma desconhecida liberdade.
 
A canalha… aproxima-se
verberando abstracções concretas.
No alto da torre seguem os carros pretos
chapeados com protecções e blindagens.
 
Blindaram os corações
para recolher os protestos.
Não! Os protestos não chegam às torres…
Aparam os ouvidos,
com guardanapos ao tiracolo,
e vestem camuflados para vigiarem o solo.
 
Para manterem a forma exercitam-se
encolhendo os ombros
e olhando de soslaio.
 
A segurança mantém asseguradas
as palavras contrárias
e perseguem quem se oponha à segurança!
Se lhes virar as costas dirão que sou poeta…
 
Dispararam às cegas
atingiram um colibri!
Do mar saltam alforrecas e camarões!
A segurança contra-ataca
com a segurança dos narcóticos
Os moribundos mascam, agora, folhas de coca
Do deserto partiram legiões imprecisas de escorpiões.
Dizem que um bando de loucos
se escondeu numa toca…
 
Toca docemente um violino cego
Ouve-se uma canção de embalar:
- Que será de ti meu menino
Se o povo não se revoltar
 
Corre um vento forte.
Ouvem gritos!
Se virar as costas
dirão que não sou poeta…
 
1/03/2007
 (correspondência entre poetas)
(Registado no Ministério da Cultura)
 Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C.
Processo n.º 2079/09)
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LOBO… QUE COMER NO QUE RESTA DA ALDEIA?

(foto da autoria de Padre Pedro - Pampilhosa da Serra)

 

 

 

LOBO… QUE COMER NO QUE RESTA DA ALDEIA?
Rogério Martins Simões
 
Lobo não venha comer a minha ovelha…
Tenha cuidado que eu faço fogueira.
Cruzes canhoto que vem por aí a velha…
Lobo não coma a noz verde à nogueira…
 
Tem noite que a noite é vermelha.
Credo! Abrenúncio! Vem aí a feiticeira…
Ferradura na porta; corno na telha…
Lobo não coma o figo verde à figueira…
 
Lobo não volte para roubar o nosso pão.
Menino homem só tem medo do papão…
Lobo que comer no que resta da aldeia?
 
Loba… que vai ser de ti e da tua alcateia…
Dói-me a barriga de comer tantas amoras:
Cresceram as silvas, os matos e as horas…
04-07-2005

 

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Penetro na noite sombria...

 

(World Press Photo Contest 2004)

 

 

PENETRO NA NOITE SOMBRIA

(Romasi)

 

Penetro na noite sombria

e vejo gente ao lixo

apanhando o papel velho dos jornais.

Trazem notícias de guerra,

ânsia de paz…

arraiais…

 

Quantos só agora souberam da guerra:

Ou por que não a fazem!

Ou por que não aprenderam a ler os jornais...

Para quê?

Se não há dinheiro para os comprar!

Mas há, sempre uma mão

para trabalhar,

um saco vazio para encher

e a fome para matar…

 

Um carro desloca-se a pouca velocidade

O motor... parece falhar

com o frio que o arrefece.

 

Um gato afasta-se para salvar a vida…

O cão procura o osso…

que escondeu outrora…

para logo fugir

com medo de ser apanhado pela carroça…

 

O dia nasceu!

O sol já penetra nos vidros dos escritórios vazios

e os trabalhadores vêem pendurados nos eléctricos

superlotados de aumentos…

 

Agora já não andam ao papel

porque a vergonha chegou...

Agora gira tudo na monotonia do dia

E tudo faz parte da vida…

 

Lisboa, 1967

 

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Inquérito...

 

 

 

INQUÉRITO

(Romasi)

 

A vida é uma monotonia

E a um passo fica distante.

É um momento que foge

É o preto, é o branco…

 

Encontro um tísico

Que me diz:

Que a vida é um escarro

Sugador de sangue…

Olha para o chão

E cospe a vida…

 

A vida é como uma flor

no jarrão

Secará

se faltarem as raízes…

 

O rico diz que a vida

É uma manhã cheia de sol

Que ele encontra quase sempre.

 

E vem o lavrador

Diz que a vida é um arado

Sabe que vive

Que importa isso?

Se tem um arado e um caniço

Um filho na guerra, seu desgosto,

Umas quantas vacas

E uma cor terrena no rosto

 

O senhor General

Diz que a vida

É comandar exércitos

P´ra defender horizontes fechados…

Saiu e oiço vomitar um canhão…

pum!

 

E o hippy dedilhando uma viola

Canta que a vida é uma flor

É uma canção de amor

É a viola dele

Que é minha também!

 

Paro,

frente a uma multidão

Todos querem falar

Poucos querem ouvir

Então, afasto-me,

Espero pelo amanhecer

Para que a noite venha depressa!

 

Lisboa, 21/02/1969

 

 

 

 

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Chamaram-me comunista...

 

 

CHAMARAM-ME COMUNISTA

romasi

 Rogério Martins Simões

A pouca luz dos candeeiros

escondiam a raiva cerrada

nos dentes dos prisioneiros.

 

Ai se eu pudesse falar

Beijar os seios nus

da liberdade

Ai se eu pudesse romper

 os cadeados da injustiça

e tingir de sangue

Os lençóis de linho dos cobardes.

 

Por aqui vou andando

meu pai.

Escrevo esta carta

que não irá receber

Carta imaginária 

sem papel ou tinta

Acabei por confessar

o que nunca pensei!

Acabei por assinar

o que não sei!

 

Chamaram-me comunista!

Que é isso meu pai?

 

1973

 

 

 

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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