Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2019

HORAS LONGÍNQUAS

AM024860.JPG

HORAS LONGÍNQUAS

Rogério Martins Simões

 

Regresso à Aldeia das horas longínquas.

Das hortas vivas, das casas cheias,

E fico atento aos sinais de vida:

No chiar de um carro de bois;

Nos chocalhos de um rebanho;

Nos contos à lareira, de lobos e papões.

 

Depois…O galo cantava e a vida recomeçava.

Havia sempre um molho de mato para roçar,

Ou uma leira para matar a sede.

- Bom dia senhora Maria

- Bom dia Ti Manel

 

Lado a lado com o presente,

O passado é a distância que me separa da aldeia

E que me introduz nas sombras.

Ainda sinto os cheiros da aldeia e o calor do verão.

Ainda recordo a fonte velha e a sua água refrescante;

O Cântaro na cantareira da casa da Eira.

A panela de ferro, a trempe e a caçoila em cobre,

O borralho e a braseira.

Ah! Como me sentia e era feliz.

Por isso estou de regresso

À Aldeia das horas longínquas.

Madruguei e ninguém me apanha.

Já deixei para trás o castelo que fica no alto da aldeia.

Castelo de sonhos? Cada povo tem o seu…

Estou a caminho da Feteira.

Vou provar os figos, e os abrunhos,

Os cachos, as ginjas e as maças.

E os morangos que crescem nas paredes das hortas.

Como leem estou marcado.

Sou um poço de saudade!

Por isso regresso à aldeia dos meus avós.

À aldeia dos afetos e das minhas recordações.

Ali vivi em liberdade

Ali consolidei a minha formação

Ali aditei valores à minha vida.

Aquela gente ensinou-me a dar e a receber.

A repartir e a não estragar o pouco que tinham.

Aquela gente boa ensinou-me a amar.

Convidem-me para provar as filhoses.

A sopa de feijão atulhada com couves e faceira do porco.

O lombo conservado em banha na panela de barro.

E se tiver frio e as casas cheias dormirei no palheiro,

Ou no sobrado por cima do curral das cabras!

 

Não! Não quero despertar o sonho

O despertar é um coice de mula que me deixa atordoado.

Agora tenho de ir!

Não posso, nem devo, fazer esperar o povo.

O povo não parte sem mim,

Nem eu parto sem o povo!

Vamos todos como os da Póvoa!

 

Meco, 31/05/2017 17:18:00 8/02/2019

(Pequena homenagem ao povo de uma aldeia, a aldeia do meu pai e dos meus avós paternos, a Póvoa, Pampilhosa da Serra, que por ter sido tão unida ainda tem um lema VAMOS TODOS COMO OS DA PÓVOA)

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página
publicado por poetaromasi às 23:21
link do post | ##COMENTAR## | favorito
Segunda-feira, 15 de Outubro de 2018

UM PÚCARO DE SAUDADE

Ler artigo
publicado por poetaromasi às 23:40
link do post | ##COMENTAR## | favorito
Quinta-feira, 28 de Junho de 2018

Vieram de longe

(Póvoa anos 60 século passado) Vieram de longe Rogério Martins Simões Vieram de longe de onde se avista a pinha! D...

Ler artigo
publicado por poetaromasi às 23:46
link do post | ##COMENTAR## | favorito
Quinta-feira, 29 de Junho de 2017

BATE, BATE, CORAÇÃO ...

FADO: Bate, bate coração ACADEMIA DA GUITARRA PORTUGUESA Voz: Américo Nunes de Almeida Música: Alfredo Marceneiro BAT...

Ler artigo
publicado por poetaromasi às 11:15
link do post | ##COMENTAR## | favorito
Domingo, 11 de Junho de 2017

PALAVRAS E SENTIMENTO...

Palavras e sentimentos; 84º aniversário do meu pai Rogério Martins Simões Em 2006, no 84º aniversário do meu querid...

Ler artigo
publicado por poetaromasi às 19:19
link do post | ##COMENTAR## | favorito
Segunda-feira, 22 de Maio de 2017

PÓVOA: REZAS, TRADIÇÕ...

(Do lado esquerdo a capela de Santa Eufémia. Do lado direito a casa que o meu falecido primo mandou restaurar e que pe...

Ler artigo
publicado por poetaromasi às 21:20
link do post | ##COMENTAR## | favorito
Quarta-feira, 26 de Abril de 2017

UM PEDACINHO DE LUZ

(A nova casa na Póvoa, Pampilhosa da Serra, que pertence a 4 herdeiros sendo nós, herdeiros de meu pai, donos de 1/4 d...

Ler artigo
publicado por poetaromasi às 10:19
link do post | ##COMENTAR## | favorito
Terça-feira, 4 de Abril de 2017

SIGA A FESTA (PAMPILH...

SIGA A FESTA Rogério Martins Simões Continuo a pensar que a promoção deste quase abandono das terras do interior – ...

Ler artigo
publicado por poetaromasi às 18:43
link do post | ##COMENTAR## | favorito
Sexta-feira, 19 de Agosto de 2016

Meu pai e poeta José ...

O SOL José Augusto Simões Sol divino, Sol divino Lindo é vê-lo nascer É mais um dia na vida Deus nos dá para viver ...

Ler artigo
publicado por poetaromasi às 21:08
link do post | ##COMENTAR## | Ler comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 27 de Julho de 2016

AFASTAMENTO

(Nesta fotografia meu pai, minha prima e minha mãe) AFASTAMENTO O poema de hoje, AFASTAMENTO, foi escrito em 1974 qu...

Ler artigo
publicado por poetaromasi às 22:49
link do post | ##COMENTAR## | favorito

amrosaorvalho.gif

MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Solicita-se a quem os copiou alterando o nome, não respeitando o texto ou omitindo o seu autor que os apague ou os reponha na fórmula original com os respectivos créditos. Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

Copyright © 2017. Todos os direitos reservados. All rights reserved © DIREITOS DE AUTOR