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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda




Rogério Martins Simões

Cria o teu cartão de visita Poemas de amor e dor conteúdo da página

18.10.07

(óleo sobre tela Elisabete Sombreireiro Palma)

 

RECORTE NA PLANÍCIE

Rogério Martins Simões

 

Venho de um tempo de Inverno,

Quando a noite mais tempo toma.

Sou fruto de um vagar eterno

Quando o trabalho não retoma.

 

Do frio, a cortiça protege o sobreiro…

À lareira cerzia panos de linho

Chovia lá fora, era Fevereiro.

Sou filha do amor; lenha de azinho.

 

Foram longos os meses de espera

- Seara! Aprendi a bailar contigo

E foi a mais linda Primavera

E minha mãe cantava comigo:

 

“Semeei este amor de Inverno,

Papoila! Ventre da Primavera

Bago de trigo; Verão eterno,

Outono! Vida! Minha quimera.”

 

E o Verão foi ainda mais quente!

Mas o Outono é a minha estação…

A minha mãe carregou a semente

Verde foi o fruto do seu coração.

 

Ceifa-se no Verão

O que Outono é servido

Sinto dar a mão…

Que lindo vestido!

 

Se voltar a Beja

Que me viu nascer

 e beija

Estarei ao postigo!

Sua bênção, minha mãe.

Sei que estás comigo!

19-10-2006

(Poema dedicado a minha doce e linda companheira, Elisabete Sombreireiro Palma, que nasceu em Beja no dia 19/10/1948)

Poemas de amor e dor conteúdo da página

12.10.07

 

(Óleo sobre tela Elisabete Sombreireiro Palma)

 

 

FORA DE TI SOU UM NOVELO

Rogério Martins Simões

 

Erguem-se as montanhas.

Perfilam as imagens.

Vêm através de mim,

ensina-me o caminho das margens…

 

Meu amor volta depressa

Tenho as minhas mãos tão pesadas

Que nem as mando poisar

Meu amor regressa

Tenho as mãos tão cansadas

E não as posso libertar.

 

Fora de mim sou um novelo,

que se desprende,

entre os dedos alinhados.

Fora de ti sou um elo,

que se prende,

entre os dedos desalinhados

 

Tenho as mãos tão pesadas

não as consigo desapertar.

Tenho as mãos tão cansadas

Que não as consigo soltar….

 

Salta para o meu cavalo de chuva

que se ergue à porfia.

Vem de um pulo só.

Leva-me contigo depressa

 

Meu amor regressa

Tenho as minhas mãos tão pesadas

Que nem as mando poisar

Meu amor volta depressa

Tenho as mãos tão cansadas

Que nem as posso libertar.

 

03-05-2006 15:30

 

(À minha companheira BETE que pinta

e com a tinta do seu amor suaviza a minha Parkinson)

 

 

 

BETE

Amor da minha vida, minha companheira, esposa e pintora.

Não existem palavras suficientes e bonitas, (pois linda és tu!), para te expressar o que sinto neste instante, pela tua dignidade, pelo amor demonstrado ao longo destes anos de enorme sofrimento que ainda agora começa…

Este é o teu mês - balança que equilibra o que resta de mim.

Até ao dia do teu aniversário, 19 de Outubro,  voltarei a colocar aqui alguns poemas que te escrevi. Começo por este poema, “fora de ti sou um novelo”, que te dediquei quando estiveste internada e me sentia perdidamente à deriva…

Sempre

Rogério

 

Bete

Rogério Simões

 

Bete

Janela aberta

Sol penetrante, o teu,

Na hora certa:

Tão radiante e meu!

19/10/1999

 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

18.01.07

 

 

 

 

DESEJO
Rogério Martins Simões
 
Fui ver o pôr-do-sol
As ondas do mar
Fui e encontrei
Em cores de arco-íris
Com que sonhei
O teu amor.
Fui e encontrei
A tua vida.
 
Era noite
Olhei teu manto
De virgem
De natureza pura
E a única loucura
Que encontrei
Foi o luar
Que te beijava com ternura.
 
1969

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

29.11.06

 

(foto de 1989)

 

Falando de amor!

Com amor e por amor eu vivo

Que brilho tem nosso amor,

 tardio e lindo.

 

Obrigado Bety

por tantos anos de felicidade.

Lisboa, 14 de Abril de 2009

Do teu marido

Rogério Martins Simões

 

 

 

Dizias-me há pouco - deixa para lá e não te importes! continua -
Quando te disse que ia deixar o blog.
Tu mais que ninguém dás valor à minha poesia.
Tu mais que ninguém sabes como gosto dos teus quadros.
- Deixa para lá!
 
FALA-ME DE AMOR
(Rogério Martins Simões)
 
Fala-me de amor - disseste,
quando nos recantos dos jardins
as barreiras nos impediam de pisar a relva.
 
Rompiam as memórias
e um ligeiro vento
arrastava as folhas secas do velho plátano.
Era tão tarde…
e ainda agora despontavam as histórias...
 
Olhei sem desvario.
Antes, quando me debruçava no teu peito,
eras rio,
eras só rebuçado!
E trazíamos nos pés alpercatas,
com asas,
que reluziam por cima dos muros
e o chão era mais leve que o algodão…
 
Sabes?
A cidade fede devaneios
e as árvores crescem nos telhados das casas.
Não te vou falar de amor, não!
Reservo para mim as sensações dos velhos tempos.
Agora, restam umas quantas folhas que vêm ter comigo:
Somos dois silêncios!
Dois estranhos castanheiros perdidos na cidade…
01-02-2006.
 
(este poema foi puxado para aqui nesta despedida, sentida!
- Deixem para lá –
estarei morrendo se saudades por perto.)
Poemas de amor e dor conteúdo da página

08.06.06

 

Terna e doce recordação

Rogério Simões

I

CAEM LÁGRIMAS

 

Rolam-me na face

Caem no chão

Secam com o vento

As lágrimas tristes

Do meu coração!

 

Continuo escrevendo,

Versando tua beleza,

Apenas interrompido

Por longos suspiros

Da grande tristeza

De meu coração!

 

E, se depois penso

Que jamais serás minha:

Rolam lágrimas

Pelo rosto molhado

Caem no chão!

Secam com o vento!

As lágrimas tristes

Do meu coração.

Abril de 1968

 

 

Recordo-me de ti

II

Recordo-me de ti

nas horas que não eram tempo

quando os nossos olhos

ainda mal se abriam.

Eras menina

E eu corria

ao encontro na Parede

e a parede era mesmo ali

a dois passos do coração.

Eras menina

E as horas não eram tempo

Nem o tempo me separou de ti!

 

 

Terna e doce recordação

III

Eu sei que nos momentos mais duros da vida,

nos pedaços em que ainda retinha o alento

eu me recordava de ti.

Não sei a razão

Mas a menina do meu coração

permanecia na minha vida.

Adivinhava os teus passos!

Sabia de cor os teus gostos.

Afinal estavas aqui...mas fugias sempre!

Faltava-me a coragem...

E não queria perder-te!

 

E nossos pensamentos distantes

Eram dois amantes.

 

Passavam os anos não passava o amor

E até o desencontro não perdia o calor.

Que estranha forma de viver

Têm nossas duas vidas:

Tão cheias de amor e desencontradas.

Deixei endurecer o coração!

Perdi a minha juventude!

Atravessei noites!

Levantei Manhãs!

Mas não perdi a virtude...

Sabes! É tarde!

 

IV

"Terna e doce recordação

Nunca deixaste de me pertencer

É meu, o teu coração

Por favor ajuda-me a viver"

 

V

"Feliz! Só por te ver

Viver? Eu não vivi!

E nesta ânsia de ter

Acabei por te perder

Perto, tão perto de ti"

 

1986

(Diálogos das almas e do poeta perdidos no tempo)

Rogério Simões

Poemas de amor e dor conteúdo da página

18.04.06

 

Banho
(Romasi)
 
Esta é a noite
Do casamento
Entre a violência e a inocência
Entre a granada e o camarada
Porque o sangue que corre
É uno
Com o ferro
Dos estilhaços da metralha.
 
7/10/1974
 (memórias do poeta - Vietname)
Poemas de amor e dor conteúdo da página

02.08.04

 

 

 

 

GEADA GELO CHUVA NEVE
Rogério Martins Simões
A enxada cava fundo
Na mão do homem do campo!
Fundo entra!
Chega fundo
Geada, Gelo, Chuva e Neve.
 
Na lareira, o pinho crepita,
A velha treme
E a criança grita
Geada, Gelo, Chuva e Neve.
 
O Inverno é ruim
E a bucha é tão rara.
Viva a salgadeira
Do toucinho cru!
Meu filho
Não te metas ao caminho
Geada, Gelo, Chuva e Neve.
 
Mãe minha, vou emigrar.
Que Deus a ajude
Que eu não posso!
E se Deus não quiser,
Geada, Gelo, Chuva e Neve.
 
Não há Inverno somente
Valha-nos os bafos da cabra!
Cabra minha já foste à lenha?
Geada, Gelo, Chuva e Neve.
 
Ardem as torgas na lareira
Senhor Ministro,
Que bela a casa a sua!?
Não há frio que lhe chegue,
Nem Geada, Gelo, Chuva e Neve.
 
Em casa de pobre,
Ramos de horta,
Ninhos de águia no alpendre.
Lavrador não fique curvado...
À geada, gelo, chuva e neve.
 
1974
(Poema dedicado ao povo da Póvoa, da Pampilhosa da Serra e a todos os Beirões)
 
 


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    MEIO HOMEM INTEIRO
    Rogério Simões
     
    Meia selha de lágrimas.
    Meio copo de água
    Meia tigela de sal
    Meio homem de mágoa.
    Meio coração destroçado
    Meia dor a sofrer.
    Meio ser enganado
    Num homem inteiro a morrer.
    11/4/1975

    Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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